sábado, 6 de novembro de 2010

A cultura industrializada dos reality shows

Em reality shows, os elevados índices de audiência fazem parte, geralmente, de suas fórmulas. Segundo Silveira (2008), uma peculiaridade desse formato é a junção de características oriundas de diversos outros gêneros. No caso da aposta mais bem sucedida do país, o Big Brother Brasil, é possível identificar, por exemplo, traços de “talk shows” (entrevistas), “game shows” (participantes submetidos a provas), programas de auditório (platéia em dias de eliminação) e novelas (a cada dia um episódio). Tais flertes resultam em uma receita composta de ingredientes já aprovados pelo público televisivo, visando atender ao máximo o gosto do espectador.

Silveira, em seu artigo, argumenta que a maioria dos seres humanos é naturalmente interessada no chamado voyeurismo, o ato de observar o outro sem ser visto, pregado livremente por reality shows. O fato é que, para incrementar o apelo ao espectador, os participantes são escolhidos a dedo, de maneira a reunir estereótipos que despertem nossas curiosidades. Sendo assim, a febre mundial por programas do formato se dá através da extrema sedução exercida e previamente planejada pelas emissoras de TV. Portanto, a mídia não determina o comportamento humano, mas sim o direciona.

É presumível apontar a chamada hiper-realidade contida não apenas em reality shows, mas em toda a programação televisiva, como responsável em grande parcela pelo processo de alienação em massa. “O hiper-real simulado nos fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades. É um quase sonho. Veja uma dose do iogurte Danone em revistas ou na TV. Sua superfície é enorme, lustrosa, sedutora, tátil — dá água na boca. O Danone verdadeiro é um alimento mixuruca, mas seu simulacro hiper-realizado amplifica, satura sua realidade. Com isso, somos levados a exagerar nossas expectativas e modelamos nossa sensibilidade por imagens sedutoras” (dos Santos, 1986). Portanto, o telespectador, ao assistir a seu reality preferido, não reflete sobre sua artificialidade, deixa-se enfeitiçar pela estética hiper-real e ilude-se com a proposta de não-ficção.

O filme O Show de Truman (1998) retrata bem esse fenômeno no contexto do reality show. O protagonista, Truman (Jim Carrey), é um indivíduo filmado 24 horas por dia desde o seu nascimento em uma mega-cidade cenográfica, tendo sua vida transmitida num badalado espetáculo de TV. Não sabendo de sua condição, o personagem vive em uma hiper-realidade idealizada, onde todos a sua volta são atores que determinam seu destino, de modo a tirar-lhe o livre-arbítrio. Embora a proposta seja artificial e desumana, o público, a favor ou não da liberdade de Truman, permanece passivo e hipnotizado pela espetacularização da vida, apenas sintonizado em cada episódio que é transmitido. Mesmo havendo inserções publicitárias, episódios diários, atores profissionais e outras muitas propriedades de um produto de TV, para o espectador ele assiste a pura realidade, alienando-se, inclusive, de sua própria, a verdadeira.

Teixeira Coelho (1989) cita Karl Marx quando diz que todo produto tem em si vestígios do sistema que o produziu. Considerando tal afirmação, seria ingênuo ignorar que atributos típicos do sistema capitalista atual estariam enraizados na estrutura dos programas de TV, maximizando lucros e expandindo as fronteiras do mercado. Entretanto, a televisão não deixa transparecer o status de produto de suas grandes atrações, maquiando o modo como seu conteúdo é definido.

Essa atitude dissimulada nos permite dizer que uma das jogadas mais perspicazes dos reality shows é uma farsa: a dita interatividade. Assim como esclareceu Silveira, a interação é efetiva quando o papel de emissor é compartilhado, quando voz é cedida de tempos em tempos ao receptor da mensagem, permitindo-lhe ditar, também, os rumos do diálogo. Já no Big Brother Brasil, tanto quanto em A Fazenda ou na Casa dos Artistas, os rumos são definidos por normas já estabelecidas ou pela direção do programa. Quando o público vota, ele faz sua escolha dentre as opções oferecidas pelo próprio show, não interagindo, mas apenas reagindo a estímulos, sem nenhuma independência.

Mas se há aspectos tão falsos na programação de TV, como a maioria dos que a acompanham não a questionam? A resposta está na consciência humana. Teixeira Coelho, ao explicar os três tipos de signos – ícone, índice e símbolo – explicita que nossa consciência se divide da mesma forma. A consciência icônica é responsável pela intuição, pelo pensamento analógico, não se preocupando em examinar. A consciência indicial permite a constatação de fatos, a análise operativa de informações deixadas por outros. Já a consciência simbólica é investigativa, quer saber a causa, o porquê. O uso dos três campos do consciente depende dos estímulos vindos de fora, no cotidiano. A televisão, enfim, trabalha apenas com o índice, “atrofiando” de certa maneira a consciência relativa aos outros dois tipos de signo enquanto a assistimos. Em O Que é Indústria Cultural, Teixeira Coelho explica o resultado desse processo, classificando a TV como um produto da cultura industrializada:

“É isso. Toda a indústria cultural vem operando com signos indiciais e, assim, provocando a formação e o desenvolvimento de consciências indiciais. Isto é: tudo, signos, consciências e objetos, é efêmero, rápido, transitório; não há tempo para a intuição e o sentimento das coisas, nem para o exame lógico delas: a tônica consiste apenas em mostrar, indicar, constatar. Não há revelação, apenas constatação, e ainda assim uma constatação superficial — o que funciona como mola para a alienação. O que interessa não é sentir, intuir ou argumentar, propriedades da consciência icônica e simbólica; apenas, operar.”


Bibliografia:

SILVEIRA, Marlise Almeida. Big Brother Brasil: A estrutura dos Reality Shows. 2008. 21f. Dissertação (trabalho de mestrado em Comunicação Social) – Departamento de Comunicação Social, Universidade Metodista de São Paulo, 2008.

O SHOW de Truman. Direção: Peter Weir. Produção: Edward S. Feldman; Andrew Niccol; Scott Rudin e Adam Schroeder. Intérpretes: Jim Carrey; Ed Harris; Laura Linney e outros. [ Manaus: Paramount Pictures], 1998 - 102min.

COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural. São Paulo: Brasiliense, 2008. 99p.

DOS SANTOS, Jair Ferreira. O que é pós-moderno. São Paulo: Brasiliense, 2008. 113p.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bolinha de papel VS Rolo de fita crepe

Daniel Braz

É triste que, na última semana antes das eleições de 2º turno, o debate entre os presidenciáveis ainda esteja rebaixado à troca de acusações. Se alguém ainda não percebeu, é bom ter em mente que José Serra é o principal responsável por bater nessa tecla. Portanto, agradeçam pelo bom trabalho de seu marqueteiro.

Apesar de assumir frequentemente o papel de vítima de um “jogo sujo” do PT, foi sempre o candidato quem começou, desde junho, novas ondas de denúncias, dedicando considerável parte do tempo precioso de seus programas de TV e rádio a atacar os petistas através de argumentos murchos maquiados por estratégias de retórica, como o de que Dilma não tem trajetória política ou o de que seu partido é contra a liberdade de imprensa. Preencher dessa maneira os poucos minutos de propaganda mostra, no mínimo, falta de prioridades mais construtivas para o voto dentro do programa de governo dos tucanos, que, na verdade, apresentaram apenas dois discursos ocorridos em convenções do PSDB como tal.

Além de cínico, Serra ainda revela-se o pior dos hipócritas, pois até agora o maior jogo sujo desde o início das campanhas não foi obra de Dilma, mas sim dele próprio ao distribuir panfletos de contrapropaganda em nome de entidades religiosas como a CNBB. O presidenciável deveria ser preso por frases como “cristão não vota em quem é a favor do aborto”, já que põe em pauta de forma distorcida um grave problema de saúde pública, sendo, lamentavelmente, endossado por grandes veículos de mídia.

Agredida dessa maneira, Dilma não tem outra alternativa senão revidar os ataques e abrir mão de discutir dignamente os problemas do Brasil. No fim, cabe apenas ao eleitor a tarefa de se informar e ir a encontro da democracia.

sábado, 23 de outubro de 2010

Só preciso de alegria

Daniel Braz

Alegria é o que preciso,
Só preciso de alegria.
Não se necessita clima
Quando é pura sintonia.

Como sei quem é você?
Na verdade, apenas sinto, porque temos a mesma sina.
A sincronicidade dá sinais de que não é à toa a nossa rima,
Pois combina.

Meu futuro é como mina sem qualquer ferramenta.
Não haverá prata sem lascar uma pedra.
E é aí quando você finalmente entra em cena,
Pra levantar minha alma,
Pra iluminar minha caverna.

E se lá no fundo há apenas uma só ideia,
Totalmente fora do alcance da platéia,
De que adianta, então, ter acesso a ela,
Se não for compartilhada em par com quem se espera?

domingo, 17 de outubro de 2010

Pior que tá num fica?

Daniel Braz

Se Tiririca é capaz ou não de ler e escrever ainda não sabemos, ou melhor, só poderemos ter certeza após a diplomação do palhaço/cantor/apresentador/puxador-de-votos como deputado federal mais bem sucedido do pleito. O já sabido é que graças aos seus 1,353 milhão de eleitores, o humorista por pouco não atingiu o recorde nacional do falecido Enéas Carneiro, de 1,57 milhão, fato que, acreditem, não é o mais assustador envolvendo sua vitória nas urnas.

Em outras palavras, é inadmissível que uma figura como Tiririca tenha sido eleita por cifras tão impressionantes, pois não se trata, ao contrário do que alguns pseudocidadãos afirmam, de voto de protesto. No final das contas, através do sistema proporcional regulador das eleições de vereadores e deputados, o palhaço ultrapassou em mais de 1 milhão o coeficiente eleitoral e, assim, nomeou, como se não bastasse apenas o próprio, outros 3 candidatos de sua coligação que não ganhariam vaga sem uma “mãozinha”.

Certamente, a aliança “Juntos por São Paulo”, ou seja, PR-PRB/PT/PR/PC do B/PT do B, está comemorando os frutos de sua aposta eleitoreira. Já os demais partidos devem estar se rasgando de inveja ou, no mínimo, utilizando a vitória de Tiririca como inspiração para um tiro certeiro em 2012. Assim, a democracia brasileira segue alimentando os olhos grandes dos próprios políticos, esvaziando o debate e as “ideologias” partidárias. Ou será que alguém realmente acredita na consciência política de candidatos tais como o ex-craque Romário, a (“ex”) funkeira Tati Quebra-Barraco e os ex-famosos Kiko e Leandro, do grupo KLB? O próprio Romário, no ato de sua filiação ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), simplesmente confundiu sua própria sigla, dizendo-se honrado ao entrar para o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).

O caso é que a grande maioria dos brasileiros se vê perdida frente à quilométrica lista de candidatos a cargos eletivos pelo sistema proporcional. Entretanto, o maior problema é que esses mesmos indivíduos, em geral, também não têm informações suficientes a respeito do coeficiente eleitoral e, desse modo, dentre os outros políticos profissionais, acabam sendo atraídos pelo carisma de celebridades já conhecidas.

Por isso, é em função de absurdos como esse que o princípio do voto em lista fechada precisa ser aplicado tão logo quanto possível no Brasil, pois o impossível é conhecer milhares de candidatos que nem sempre têm boas propostas. Se apenas os votos em legenda fossem permitidos e as agremiações definissem uma pequena lista ordenada dos aspirantes a cargos eletivos, fenômenos como o de Tiririca não ocorreriam tão facilmente. Afinal, parafraseando-o, o povo não é palhaço, embora ele seja. Moral da história: o brasileiro necessita de melhores condições para exercer sua cidadania.

domingo, 10 de outubro de 2010

BOTECO SUJO: Censura eu, Folha!

BOTECO SUJO: Censura eu, Folha!: "Na semana passada, uma forte crise nostálgica atingiu a família Frias. Podia ser saudade dos anos 80, época em que a Folha de S. Paulo era chamado de "jornal das Diretas" e tido como um legítimo aliado das lutas democráticas. Mas não. A Folha sentiu saudade foi dos bons e velhos anos 70. E não era vontade de usar costeletas, vestir calças boca-de-sino e dançar Staying Alive. Era a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carros para as ações de tortura e morte de "inimigos do regime" praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes. "

Na semana passada, uma forte crise nostálgica atingiu a família Frias. Podia ser saudade dos anos 80, época em que a Folha de S. Paulo era chamado de "jornal das Diretas" e tido como um legítimo aliado das lutas democráticas. Mas não. A Folha sentiu saudade foi dos bons e velhos anos 70. E não era vontade de usar costeletas, vestir calças boca-de-sino e dançar Staying Alive. Era a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carros para as ações de tortura e morte de "inimigos do regime" praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes. (...)"
Por Fausto Salvadori

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Violência eleitoral gratuita

O deputado empregado pelo aperto do botão é sangue-bom
Porque colocou asfalto no lixão.
Comprou meia duzia de fuzil pros traficante.
Tomou uma cerveja bem gelada com comandante.
E é mentira que ele esteja enrolado com a justiça,
Pois sei que a mídia disse que isso é caso de polícia.
Pode confiar no candidato que tem mais estrada,
30 anos de política, rindo da sua cara.
Nós do Partido Trabalhista Democrata Enviado de Deus
Vamos te tirar da vala. Dei pala,
Porque vala é um termo muito genérico.
Te dou 50 real, um vale transporte, mais um vale remédio.
Ainda mando uns verme pra favela te tirar do tédio
Dando tiro pro alto na rua, no pátio do colégio.
E agradeça a Deus, acima de tudo, pela vida que tu tem,
Vote por isso, 69100.

Pra senador, vote no 171 que foi prefeito,
Que fez um elefante branco por 100 vezes o preço.

Amigos, companheiros, companheiras e sócios,
Preto, mulato, chinês, latino americano,
Sindicato das Donas de Casa não façam escândalo,
Eu dou calote no povo, empurro dentro do cano.



OBS.: NÃO HÁ candidato a deputado estadual com o número 69100! Eu, pelo menos, não achei... Então, é só pra dar o toque (óbvio) de que não é pra digitar esse número na urna eletrônica, e se aparecer alguém, não votem! hahah

ExistENTE

Vejo gente que me lembra a semente que não quer germinar.
Fico crente que por mais que eu tente não posso provar.
Consciente do meu ente presente, não tem quem pretende me negociar.
Independentemente do poente, não parte a corrente, não vem libertar.

Penso logo existo,
Só acredito no que acredito.
Por mais que seja difícil,
Levo a vida que eu mesmo dito.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pesquisas provocam interpretações contraditórias há 6 dias das eleições

Daniel Braz

Apesar dos recentes escândalos de quebra de sigilo fiscal e tráfico de influência na Casa Civil, não ocorreram mudanças drásticas no cenário eleitoral. Em pesquisa divulgada na última sexta (24/09), o Ibope aponta uma leve queda nas intenções de voto para Dilma Rousseff. A petista caiu de 51% para 50%, enquanto Serra e Marina subiram, respectivamente, de 25% para 28% e de 11% para 12%. Há 6 dias das eleições, esse novo cenário tem provocado interpretações contraditórias.

Durante visita a Goiás no último sábado, o candidato do DEM a vice-presidência, Índio da Costa, por exemplo, afirmou que, segundo várias pesquisas internas, a soma entre os votos de Serra e Marina já teria ultrapassado os 50%, dando como certo um possível segundo turno. "Não tenho mais dúvida nenhuma do segundo turno. A dúvida é zero", disse. Na ocasião, ele declarou que as denúncias envolvendo o governo do PT serão um fator determinante para a virada de seu companheiro de coligação, José Serra.

No mesmo dia, Dilma Rousseff, entretanto, não se mostrou surpresa com o resultado das atuais pesquisas. Em compromisso no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro, a candidata deu sua opinião em relação à última pesquisa divulgada pelo Ibope:
- Tem uma pesquisa que me dá 49%, outra que me dá 50%, outra 51%, você entende? Eu estou na margem, de um ponto, dois pontos, eu não vejo nenhum problema, entende?".

domingo, 26 de setembro de 2010

Para Quícoli, veto do BNDES foi estopim de sua denúncia

Daniel Braz

Perguntado sobre o que motivou sua denúncia a respeito das supostas contas em Hong Kong usadas para depósito de propina, o consultor da companhia EDRB, Rubnei Quícoli, respondeu que a suspensão do empréstimo para financiar seu projeto pelo BNDES foi o estopim. O veto teria se dado logo após sua recusa em pagar comissão a Israel Guerra. Segundo ele, as recentes acusações sobre um possível esquema de tráfico de influência através da empresa Capital Consultoria e Acessória o levaram a apurar a situação de seu financiamento e, então, manifestar-se.

- Quando vi que o contrato que eu tinha, da empresa (Capital), era a mesma (sic), conversei com a empresa (ERDB) e falei: vou me manifestar. Primeiro, chequei no BNDES e deu que o meu projeto estava totalmente anulado. Daí, deu a entender que, realmente, o poder deles, por eu não ter assinado o contrato, foi de vetar. Foi o estopim para mim – desabafou o empresário.

Rubnei Quícoli buscava, em parceira com as companhias ERDB e KVA, um financiamento de R$ 9 bilhões no BNDES para a construção de uma usina de energia eólica no Nordeste, estagnada desde 2002. Porém, relatou que Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, teria cobrado comissão de R$ 5 milhões para intermédio. O contrato seria firmado com a Capital Acessória, entre cujos sócios estão Saulo Guerra, irmão de Israel, e Sônia Castro, irmã do ex-diretor operacional dos Correios, Marco Antônio de Oliveira, cujo genro seria dono das possíveis contas no exterior, segundo Quícoli.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Grito!

Daniel Braz

Grito, espero, não nego, tento entender.
Erro, modero, sincero, não quero sofrer.
Se escutas o que digo, não ouves o que tenho a dizer,
E ainda feres minha alma, meu orgulho de viver.

Normal seria se eu seguisse, à luz do dia,
sabendo do que sei e sem medo de aprender.
Mas o real rompe a alegria e, por pura
teimosia, faz ruido da harmonia que tento tecer.

Assim, prefiro andar na chuva,
Sob a luz da lua cujo céu desconfigura,
E se não sucedo em chorar,
Deixo que o céu chore por mim.

Psiquiatria nunca vai tirar minha agonia e minha solidão do dia-a-dia, mas me coloca numa fria.
Como ter tanta arrogância, tanta intolerância, tanta ignorância, é até difícil de esconder, num é?
Ô Zé Mané, fica tentando de tudo, só faz jogo duro, é só por isso que eu também não me misturo.
Eu quero paz, alegria, sucesso pra minha vida, com harmonia, escravidão é uma parada que tu cria, mas faz mal,
Eu sei, seu animal, deixa que eu cuido de mim, teu papinho é boçal.
Só no bla-bla-bla, no cri-cri-cri, só no ti-ti-ti, e eu não quero mais te ouvir.
Sai pra lá, eu vou surtar, e se tu continuar, eu não posso mais ficar, esse não é o meu lugar.
Eu não resisto, eu não sou cristo, e se aqui não sou bem quisto, assim num dá.

Assim, prefiro andar na chuva,
Sob a luz da lua cujo céu desconfigura,
E se não sucedo em chorar,
Deixo que o céu chore por mim.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bem-vindos ao Mundo Invisível!


Vista a camisa pelo lado do avesso,
Jogue a poeira para o lado de fora.
Esclareça, antes do fim, o começo,
Já que investigo pra saber a fundo.

Convido-a para vir a meu mundo.
Pode dar uma olhada nos móveis,
Até mesmo abrir o guarda roupa.
Fique à vontade, não hesite um segundo.

Caso desça ao 20º subsolo,
Procure acender a lanterna,
E saiba que por lá estarei a sua espera
Com dois bons amigos mais uma galera,
Cantando o que há de mais profundo.
Em conjunto.
E não mude de assunto.

Se não clareia a minha caverna,
Talvez não ache o que quisera,
Pois torna o novo impossível,
E apenas tateia o que é elíptico.
Só conheces a ti e me faz temível,
Na sala de estar, no mundo invisível.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ROYALTIES??

Acho desnecessário explanar novamente o absurdo que a emenda de redistribuição dos royalties do petróleo, aprovada hoje pelo Senado, representa para o Rio de Janeiro e para o Espírito Santo.
No entanto, o peemedebista gaúcho Pedro Simon está apenas seguindo a linha ideológica de seu partido, o maior do país, de compromisso com a justiça. Aliás, coitadinhos dos outros estados brasileiros, que esticam seus orçamentos pobres, investindo o máximo possível na qualidade de vida de seus municípios, sem êxito. Os próprios prefeitos e governadores são uns mortos de fome...... O dinheiro precisa ser repartido igualmente entre os administradores públicos, precisamos ter consideração com suas vidas duras, sofridas. O prefeito de Cachoeirinha do Sertão também quer construir sua Cidade da Música, poxa.



Ironias a parte, caso Lula não tome a posição prometida ao governador Sérgio Cabral de vetar de qualquer maneira o projeto, o problema será crítico. Um problema de 7 bilhões por ano.
Não consigo expressar com palavras o nojo que passei a sentir pelo deputado Aldo Ribeiro (PCdoB-SP), queria poder cuspir-lhe na cara. O infeliz em questão lançou para votação um projeto que altera o Código Florestal brasileiro. Uma das propostas visa diminuir radicalmente o limite da faixa de preservação das margens dos rios e encostas. E mais: querem anistiar terras desmatadas até o ano de 2008, além de acabar com a obrigatoriedade de reservas legais para pequenos agricultores.
O episódio é festivo para os ruralistas, que estão mexendo os pauzinhos e usando toda a sua influência para levar a medida para votação ainda esse ano, o que dificilmente acontecerá tendo em vista a Copa e as eleições. A discussão deve ser adiada para ano que vem, pelo menos no Planalto Central.
Digo isso porque a sociedade precisa enxergar desde já que o país não pode andar em marcha ré. O Brasil é dominado por urubus, que estão se lixando para o futuro do país ou para a opinião pública, como já declarou, sinceramente, o deputado do PTB de Rio Grande do Sul, Sérgio Moraes, em 2009. Não é incomum que cínicos como Aldo Ribeiro proponham mudanças de caráter conservador. Basta lembrarmos do artigo original do Plano Nacional de Direitos Humanos, aprovado esse ano, que afetaria claramente a liberdade de imprensa e pressionaria a auto-censura dos jornais. É preciso, no mínimo, impedir a aprovação emendas cujas terceiras intenções chegam a tal ponto de atrevimento frente aos interesses nacionais.
Já não basta a crescente onda de tragédias que vêm desolando o Brasil? Como é possível que catástrofes como as de Santa Catarina e do Rio de Janeiro não façam germinar um broto de responsabilidade sobre a vida de tanta gente? Como já ponderou Marina Silva, o Brasil tem metas importantíssimas assumidas em Copenhague de reduzir as emissões de CO2 em até 39% que não serão alcançadas caso a modificação do Código Florestal seja aceita. Até mesmo os porcos latifundiários perderão em exportações, já que o país perderá credibilidade e respeito da comunidade internacional. Não esqueçamos que temos adotado uma posição de exemplo a respeito da redução de poluentes.
Na verdade, é tudo tão óbvio, não é mesmo? Considero esse texto que acabei de escrever redundante demais para meu gosto. Até crianças de Ensino Fundamental têm consciência dos problemas ambientais nacionais e globais. Será que nossos parlamentares faltaram a essas aulas? Agora, com licença, que vou vomitar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Som Imaginário - Matança do Porco (1973)


O Som Imaginário começou como banda de apoio de Milton Nascimento e logo lançou voo no lançamento de um LP homônimo em 1970. Ao todo foram três discos lançados, sendo o último a tônica desse post. Dentre os ilustres membros deste conjunto, destacam-se nada mais, nada menos que Zé Rodrix e Wagner Tiso, além de figuras como Tavito e o genial guitarrista Frederyko, ou Fredera, hoje pouquíssimo reconhecido.
Na minha humilde opinião, apesar dos grandes nomes, o motor criativo mais interessante do grupo era Wagner Tiso. O álbum instrumental "Matança do Porco", de 1973, já não contava mais com Frederyko e muito menos com Zé Rodrix, que após o primeiro disco deixou o grupo para se juntar a Sá e Guarabira. Assim, quem assumiu a frente quase total das composições foi o mestre Tiso, com seus arranjos de piano e orgão capazes de nos arrancar algumas lágrimas. Ele foi responsável por conduzir o grupo do pop rock lisérgico para o rock progressivo, dando os primeiros passos através da poética faixa "A Nova Estrela", do álbum de 1971. E a consequência dessa história é o melhor registro progressivo brasileiro que já ouvi em toda a minha vida.
Este tesouro de 1973 é uma belíssima mistura de erudição, jazz, brasilidade e temas de fazer inveja até no Pink Floyd. Algumas participações especiais não podem ser esquecidas, como Danilo Caymmi, na flauta, e o próprio Fredera, em épicos solos de guitarra deixados como vestígios de seu talento. A cereja do bolo fica a cargo de Milton Nascimento e dos Golden Boys, que emprestam suas vozes à sequência final da faixa título, com mais de 11 minutos de duração.

(1973) Matança do Porco

1. Armina (Wagner Tiso)
2. A3 (Wagner Tiso)
3. Armina [Vinheta 1] (Wagner Tiso)
4. Armina nº 2 (Wagner Tiso)
5. A Matança do Porco (Wagner Tiso)
6. Armina [Vinheta 2] (Wagner Tiso)
7. Bolero (Mil, Luiz Alves, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Tavito)
8. Mar Azul (Luiz Alves, Wagner Tiso)
9. Armina [Vinheta 3] (Wagner Tiso)


Have a nice trip!
E Fernando Pimentel é afastado da coordenação da campanha de Dilma Rousseff por ser responsável pela contratação da empresa Lanza Comunicação, suspeita por elaborar o suposto dossiê. Especulações a parte, mas é muita coincidência que a bomba tenha, no final, caído no colo de quem é pivô do atual maior impasse entre PT e PMDB: as eleições estaduais de Minas Gerais. Sempre foi mais que óbvio que o peemedebista Hélio Costa seria contemplado com o palanque da coligação no estado. Hoje, com a bomba no colo, Pimentel anunciou a candidatura do rival, sem resistência.

domingo, 6 de junho de 2010

É realmente muito triste assistir a uma disputa eleitoral de debates potencialmente tão interessantes ofuscada por apelações judiciais. O nosso querido presidente, ignorando os ataques dos oposicionistas de plantão, não se furta a pular a cerca das leis que o proíbem de fazer campanha antecipada. Obviamente, seria incabível passar a mão na cabeça de Lula, mas dar corda a esse bate-boca é alimentar joguinhos políticos. Inclusive, devemos considerar que no cenário atual ninguém dá o exemplo, como já pudemos constatar em inserções recentes do DEM, seja em favor de José Serra, Marco Maciel ou quem quer que seja. A oposição deseja a todo o custo vincular a imagem dos petistas à falta de ética, recorrendo desesperadamente a tempestades em copos d'água. Não serei ridículo a ponto de exaltar a moral do governo atual, mas proponho a reflexão de que o Arruda não é a ovelha negra da família democrata.
A mais nova invenção da mídia é o suposto dossiê contra Serra e sua filha Verônica. Bom, da onde quer que tenham surgido tais documentos, essa história me parece muito mal contada. Não vejo motivo algum para que Dilma se utilize de tal tática. Afinal de contas, não se mexe em time que está ganhando e ampliando paulatinamente a vantagem nas pesquisas antes mesmo do início da campanha oficial, quando Lula poderá, enfim, utilizar toda a sua influência como cabo eleitoral. Enfim, não faz sentido uma apelação tão burra e desesperada. O jornalista Luiz Lanzetta, o bode espiatório da vez, é claramente suspeito, mas não há informações que o relacionem diretamente à campanha de Dilma, apesar das agressivas tentativas do PSDB e do DEM nesse sentido. Uma coisa é certa: quando os aloprados do PT articulavam o último dossiê, em 2006, o envolvimento de Serra com a máfia das ambulâncias já parecia bem evidente.
Bom, como essa novela parece não ter fim, a única coisa que enxergo são os cabelos restantes da careca do presidenciável tucano cairem junto com sua popularidade e seu sonho de ter Aécio como vice.

(Fora da área de cobertura ou desligado)

Está certo, eu admito... Para os que ainda não tenham sido notificados, estou planejando criar um outro blog, fazer uma parceria. Ou, no mínimo, reaproximar o Espelho Translúcido da sua concepção inicial. Quem lembra do que escrevi em meu primeiro post talvez me entenda... Quero abrir ao máximo meu leque de assuntos, que acabaram por se limitar demais a música e poesia. Quero falar mais sobre política, assunto pelo qual me interesso muito, mas sobre o qual sempre tive receio de escrever.
Como se não bastasse, preciso criar um formato que se adeque a minha rotina, já que agora não posso mais deixar de fazer meus deveres de escola pra ficar escrevendo por aqui! Minha intenção talvez seja me restringir a posts curtos, diretos e um pouco mais constantes que o habitual. Os textos mais longos eu deixo pra quando eu tiver tempo livre ou muita vontade!
Bom, fica aí a incerteza... estou aberto a sugestões!
Sim, estou vivo. Meio vivo, meio morto.
De vento em popa? Um pouco indisposto.
Soturno no escuro, nem vejo meu rosto.
A pé no vazio, aflito, sem gosto.

Aqui dentro, eu tento um papo
Sem tato e olfato... Sem motivo: me rasgo.
Angústia, de fato,
Pois toco a vida pacato no ato.

No absurdo, me distraio
Diante do muro, por todos os lados,
A céu aberto e tempo nublado.
Mas até que o muro não é tão alto...

Por que espero pelo passado?
Pra que adoço o que não é amargo?
Não preciso andar de olhos fechados.
Não preciso conter o que já está acabado.

Escrevo, como um desabafo,
À razão da retórica que me vem do cansaço.
Mas.......
Que se dane a rima, que se dane a métrica,
Não importa o paralelismo e que SE FODA a melodia!
Se eu consegui escrever tudo isso em dez minutos,
Por que não gasto um segundo me dando um soco na cara??

sábado, 6 de março de 2010

The Sunshine Underground - Nobodys Coming to Save You (2010)


Galera, essa banda tá me deixando louco!!! Tudo começou quando lá estava eu andando pelas ruas de Camden Town, em Londres, e passei pela porta de um "nightclub" histórico com música ao vivo, chamado Koko, que ficava pertinho do apartamento aonde eu estava passando férias com a minha família. Eu, que estava louco pra beber rock britânico da fonte, não pude evitar de dar uma olhada na programação. Percebi que havia uma tal de Sunshine Underground que iria tocar por lá na semana seguinte, quando eu ainda estaria na cidade.
Mais tarde, assim que eu cheguei em casa, fui direto pra internet procurar mais informações sobre a banda. Me dei conta de que os caras tinham acabado de lançar o segundo álbum (saiu no dia 01/fevereiro), exatamente esse da foto aí em cima. Depois, procurei pelos vídeos da banda no You Tube, onde encontrei vários de seus clipes, e fiquei bastante empolgado. Recomendo que assistam a eles, embora todos, com exceção de "Coming to Save You", sejam músicas do primeiro álbum, "Raise The Alarm", de 2006, ótimo por sinal.
Mas, enfim, vamos falar mais sobre a banda em si. O Sunshine Underground teve origem na cidade de Leeds, na Inglaterra, e é formado por Craig Wellington (guitarra e voz), Stuart Jones (guitarra), Daley Smith (baixo) e Matthew Gwilt (bateria). Seu estilo é rotulado como indie rock, mas, cá entre nós, dá pra ser menos genérico. Bom, eu já ouvi muitas comparações a um conjunto estadunidense chamado The Rapture, e, de fato, eles parecem ter, de certa maneira, traços rítmicos desses americanos. Também já ouvi compararem os "Sunshine" ao The Killers, também norte-americanos, e talvez eles realmente possuam uma pegada semelhante. Já eu, após ter assistido ao show esmagado contra a grade e ter levado muita porrada na rodinha, incluindo socos e chutes na cara, julguei que eles trazem muito do espírito dançante dessas e de outras bandas, como o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand. Ao mesmo tempo, há certas melodias tortas e arranjos viajantes, principalmente no segundo álbum, que me lembram claramente o Radiohead. Junto a tudo isso, ainda há forte influência da música eletrônica. Confuso? Eu também estou. Agora, ouça com seus próprios ouvidos e entenda porque eu disse que esses ingleses estão me pirando! Se surpreenda com uma sonoridade que parece com muita coisa, mas soa incrívelmente autoral e inquietante.
"Nobodys Coming to Save You" foi produzido por Barny, que tem, em seu currículo, bandas como o próprio Franz Ferdinand e o Arctic Monkeys, já citados anteriormente. É muito mais experimental e menos pop do que o álbum de estréia, o que, na minha opinião, fez com que a banda se tornasse ainda mais interessante do que já era.
O álbum tá aí, não digo mais nada!

(2010) Nobodys Coming to Save You

1 - Coming to Save You
2 - Spell It Out
3 - We've Always Been Your Friends
4 - In Your Arms
5 - A Warning Sign
6 - Change Your Mind
7 - Any Minute Now
8 - Here It Comes
9 - One By One

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Chave e o Cadeado

Quando era garoto, ganhei da minha melhor amiga um acorde maior com sétima maior e nona. Recebí-o alegremente, porém com um certo receio, pra não dizer temor. Pensei, "tenho em minhas mãos algo que me trará a felicidade plena, mas o que farei com seus relativos menores?".
Infelizmente, a mim nunca foi possível encontrar respostas. Digo isso porque o acorde que me foi dado está, até hoje, no interior de uma enorme caixa com cadeado, cuja chave não veio no pacote e da qual não se tem notícias.
É preciso, no entanto, frisar um detalhe: a caixa é tão grande que não cabe em nenhum dos meus bolsos, nem mesmo os da mochila. E mais, não há espaço para guardá-la nem no meu quarto, nem em nenhum cômodo da minha casa! Vocês se perguntam, "por que não se desfazer logo de um objeto tão inútil?!". Mas aí está. Quando encosto meu ouvido na caixa, ouço um ruído tão lindo, tão apaixonante, que sou incapaz de jogá-la fora.
Por uma causa nobre, então, carrego meu presente nas mãos, pra qualquer lugar que eu vá. Sim, a carga é pesada, eu admito e continuo achando que vale a pena suportá-la. Afinal de contas, quem sabe um dia minha amiga encontra a chave do cadeado?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Enquanto

Estou de volta de férias! Nessa próxima segunda feira, finalmente terei meu primeiro dia de aula na faculdade, cursando Comunicação Social. Estive bastante ansioso desde o ano passado: enfim começarei a estudar aquilo que eu amo! E esse blog, assim como nunca, será meu maior laboratório para experimentar tudo aquilo que irei aprender, principalmente em Jornalismo.
Bom, durante o meu período de vagabundagem, estive em Salvador, como já disse em posts antigos, e, há pouco, estive passeando pelas magníficas cidades de Londres e Windsor, na Inglaterra, e Edimburgo, na Escócia. Claro que isso implica muita inspiração.
Como amante incondicional da boa música, não poderia deixar de assistir a algum show durante minha última viagem. E assim foi. Em breve, postarei um disco de uma banda sensacional da Inglaterra, cujo show eu tive o prazer de assistir. Hoje, deixo aqui um poema/letra de música que compus nessas últimas semanas. O nome está no título do post.

O sol continua brilhando
Mas ainda faz muito frio.
E permanece a caminhada,
E as visitas de casa em casa,
E os olhos brilhando por cada fachada.
Por que acredito nas histórias que crio?

The sun is shining,
But it's still cold.
I hope I stop acting like a fool
And someday find out that this world has rules,
Even if none can gimme true clues.
I hope I learn something before getting old.

Por enquanto, eu sigo sem pressa,
Pois seu mundo acaba onde o meu começa.
Meu ego não fere, nem quebra promessa
E sou feliz demais.

O céu escurece,
Mas ainda é muito cedo.
E as portas já estão se fechando,
E apenas ignoro todos os comandos.
Seu olhar não me causa mais espanto.
Com você não suporto segredos.

The sky is darker,
Although is too early.
I've always wished your understanding.
I want to stay closer and you've never let me,
But my love is bigger than all of my memory.
There's nothing to do, no reason to hurry.

Por enquanto, planejo a conversa
E nem sei o quanto isso lhe interessa.
Preciso explicar o que nunca me cessa
E poder viver em paz.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Falo mesmo: tô sem saco pra escrever! Mas que fique bem claro que não considero esse blog um compromisso chato ou algo entediante, porque, afinal de contas, se fosse assim eu nem o teria criado, certo??
Sei que não devo satisfações, mas só queria fazer um pedido oficial para que respeitem meu momento de ócio depois de um ano tão conturbado! Talvez eu até poste alguma coisa qualquer dia desses, mas isso vai depender muito do meu humor hahah...

Fui!