sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Montes e Vales

Daniel Braz

Avisto montes e vales, onde quer que a estrada passe.
Sinto medo ou coragem, comedidos e ocultos.
Se hoje eu acordei de luto, só me resta o dia seguinte.
Se hoje eu acordei ouvinte, não adianta me pedir que fale.

É dia de sol na Bahia... É tanta alegria, é até difícil de segurar!
Me desculpe se ontem eu pareci triste, estavam todos felizes e eu quieto em meu lugar.
Não foi sua culpa, nem foi culpa minha, agora vê se me escuta, que hoje eu quero brincar.
Me acompanhe quem quiser cair de cabeça no mar.

Eu sou criança,
Tenho fome de bola,
Você não me enrola,
É minha vez agora,
Quem sabe faz a hora e não decora.

Estou subindo bem alto, me curei das asas e alcei vôo.
Voando destôo, abro o meu jogo. Ah! Quanto recalque!
Se hoje eu acordei com vontade, criar é o meu ponto mais forte.
Se hoje eu acordei com sorte, conheço bem a vida e a morte.

Mas por que justo agora você se cobre?
Para onde foi sua fala? Na hora H você se cala...
Me mostre a força que eu te mostro a palavra:

Você se prende
Com as próprias correntes
Conservando o aparente,
Pseudoconsciente,
Pra esconder o que mente se sentindo potente.

Crie seu mundo a cada segundo,
Consciência tranquila me cheira a mentira, tá fora da mira.
Quem quer mesmo se vira, e a máscara tira.
E vagabundo é vagabundo, fica só no sofá, não muda de assunto.

É isso o que eu digo e repito. Então brindemos juntos!