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domingo, 8 de janeiro de 2012

Ensaio sobre ser


TUDO é possível, basta QUERER.

Gênio é apenas aquele que contribui para a sociedade com sua rica produtividade, habilidade e originalidade, criando conceitos e mudando valores. Por isso, a partir de agora, juro fugir da mediocridade, prometo oferecer minha vida ao mundo, usando como mediadores minha própria sede e, a priori, meu próprio acaso; uma causa nobre, livre das algemas do ego. Como deus, prefiro algum mais próximo ao super-homem de Nietzsche, para o qual servirei de ponte. Que a Terra seja cada vez mais repleta de criadores, e que a minha vida seja uma inspiração a todos eles, no presente e no futuro.

Hoje é um dia único, divisor de águas. Que a partir de hoje todos os dias - ou a maioria deles - também sejam únicos. Que muitos novos oceanos ainda existam para desbravar, e que minha trajetória passe por muitos deles. Nem que para isso seja preciso naufragar inúmeras vezes, e construir inúmeras caravelas.

Não sou Zaratustra, sou Daniel, e é exatamente a singularidade da existência o motivo pelo qual nossa missão é única. Sim, missão, pois para mim é muito mais lógico acreditar que tudo tem um propósito. E eu sou o propósito em carne, osso e espírito.

Digo isso porque terei de lidar com as diferenças entre os homens, já que, afinal, eles são o meio. Para nossa finalidade, amarei-os por justíssima causa, mas NUNCA deixarei que suas limitações me limitem. Usarei seus defeitos como vacina para minha virtude, aprendendo tanto com eles quanto com suas qualidades.

Enfim, quero reconhecer a qualidade no defeito e o defeito na qualidade, e essa será, talvez, a maior das minhas virtudes. Só assim serei capaz de amar os homens sinceramente.


Ensaio sobre Ser
Daniel Braz

Acontece que quando a gente vive as folhas caem e renascem, e o sol vem e vai.
E me intrigo quando eu vejo tanta gente que já fez tanta viagem, mas voltou sem foto e bagagem.
Só que o motivo de dizer tudo o que eu digo não é falar mal dos outros, pois não somos todos iguais.

Defeito é qualidade,
Qualidade é defeito,
Defeito é pergunta,
Qualidade é resposta,
Resposta é pergunta,
Pergunta é resposta,
E a lei nao se orienta por uma base lógica.

Responsáveis somos todos por nós mesmos, mas também pelo efeito que causamos atuando a nossa volta.

A liberdade é atributo essencial ao ser humano, por mais que não lhe faltem grilhões.
Mas pra viver é necessário coragem e preparo emocional para o sublime e suas lições.
Ser escravo é deprimente, ser tirano é uma tragédia, e ambos são perdas de tempo dos bons.
Para além de si serve a nossa existência, mas o seu motivo sai dos nossos corações.


E eu vou,
Vôo, vôo, vôo para onde habito.
E eu vou,
Vôo, vôo, vôo para o infinito.

Já passei dois meses em casa,
Mal vejo a hora de sair para a praia.

Quando eu nasci, eu nasci sem saber,
Quando eu morrer, vou morrer sem saber.
Mas bem que eu tentei,
E me esforcei. Mas alguém perguntou:

"Qual o sentido do esforço, se já sei que não vou saber?"
A Verdade, meu irmão, é preciso procurá-la, caso contrário há o risco de se perverter.
Pelo poder, o homem pira.
Pela Verdade, o mundo gira.
Antes morrer na Verdade do que viver na Mentira.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por Você Não Vou Mudar (Sigo o Meu Coração)

Minhas composições são, para mim, a expressão mais sincera da minha alma. É a tradução poética dos meus sentimentos mais latentes. Através delas é possível afastar-se do ego e estabelecer um diálogo com si próprio.
Entretanto, expressar-se transcende a palavra. Aprendi a usar música para esse fim, e é engraçado como, às vezes, é preciso apenas fechar os olhos e procurar por alguns acordes para pôr pra fora sentimentos há meses entalados na garganta. Ouvir música muitas vezes consola, mas fazer purifica. É o potencial que ela tem de despertar emoções. Cada intervalo dentro de uma escala nos transmite uma sensação, e o segredo é saber sentir.
A música não existe sem o homem, e vai muito além da teoria. O homem, para fazer música, pode ser 100% auto-didata. E é por isso que, hoje, reconheço que minha noção racional de harmonia é completamente irrelevante se comparada ao instinto natural que vem do coração.

Criei esse post para deixar as estrofes de algo que compus recentemente. De todas as canções que eu já fiz e guardo com carinho sem que quase ninguém tenha escutado, acho que essa foi uma das que mais me emocionaram. Talvez a letra possa soar boba, mas vale a pena parar pra refletir sobre o que está por trás do óbvio... Mais uma vez, agradeço à música, minha mais fiel companheira e eterna paixão!

(Por Você) Não Vou Mudar
Daniel Braz

Por você não vou mudar,
A sua vaidade não vai contaminar.
Não vou mudar,
Melhor ficar na sua, em qualquer outro lugar.
Não vou mudar,
Nem vou aguentar esse seu blá blá blá.
Não vou mudar.

Meu amor, não fique assim,
Eu penso em você mas também penso em mim.
O valor de estar junto está na vontade de assumir
Que estar junto é compartilhar sem reprimir.

Por você não vou mudar,
Melhor ficar na sua, em qualquer outro lugar.
Não vou mudar,
A sua vaidade não vai contaminar.
Não vou mudar,
Nem vou aturar esse seu blá blá blá.
Não vou mudar.

Onde for, não vou mentir,
Ainda que você não concorde em ir.
O amor se sustentará sobre as bases de um só fim
Que no fim vai aproximar você de mim.

Viver feliz é crer em si,
Apenas ser e resistir.
Não diga nunca pra oposição,
Siga o partido do seu coração.
Ficar pra ver o que eu não vi
É renascer, crescer enfim.


sábado, 6 de novembro de 2010

A cultura industrializada dos reality shows

Em reality shows, os elevados índices de audiência fazem parte, geralmente, de suas fórmulas. Segundo Silveira (2008), uma peculiaridade desse formato é a junção de características oriundas de diversos outros gêneros. No caso da aposta mais bem sucedida do país, o Big Brother Brasil, é possível identificar, por exemplo, traços de “talk shows” (entrevistas), “game shows” (participantes submetidos a provas), programas de auditório (platéia em dias de eliminação) e novelas (a cada dia um episódio). Tais flertes resultam em uma receita composta de ingredientes já aprovados pelo público televisivo, visando atender ao máximo o gosto do espectador.

Silveira, em seu artigo, argumenta que a maioria dos seres humanos é naturalmente interessada no chamado voyeurismo, o ato de observar o outro sem ser visto, pregado livremente por reality shows. O fato é que, para incrementar o apelo ao espectador, os participantes são escolhidos a dedo, de maneira a reunir estereótipos que despertem nossas curiosidades. Sendo assim, a febre mundial por programas do formato se dá através da extrema sedução exercida e previamente planejada pelas emissoras de TV. Portanto, a mídia não determina o comportamento humano, mas sim o direciona.

É presumível apontar a chamada hiper-realidade contida não apenas em reality shows, mas em toda a programação televisiva, como responsável em grande parcela pelo processo de alienação em massa. “O hiper-real simulado nos fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades. É um quase sonho. Veja uma dose do iogurte Danone em revistas ou na TV. Sua superfície é enorme, lustrosa, sedutora, tátil — dá água na boca. O Danone verdadeiro é um alimento mixuruca, mas seu simulacro hiper-realizado amplifica, satura sua realidade. Com isso, somos levados a exagerar nossas expectativas e modelamos nossa sensibilidade por imagens sedutoras” (dos Santos, 1986). Portanto, o telespectador, ao assistir a seu reality preferido, não reflete sobre sua artificialidade, deixa-se enfeitiçar pela estética hiper-real e ilude-se com a proposta de não-ficção.

O filme O Show de Truman (1998) retrata bem esse fenômeno no contexto do reality show. O protagonista, Truman (Jim Carrey), é um indivíduo filmado 24 horas por dia desde o seu nascimento em uma mega-cidade cenográfica, tendo sua vida transmitida num badalado espetáculo de TV. Não sabendo de sua condição, o personagem vive em uma hiper-realidade idealizada, onde todos a sua volta são atores que determinam seu destino, de modo a tirar-lhe o livre-arbítrio. Embora a proposta seja artificial e desumana, o público, a favor ou não da liberdade de Truman, permanece passivo e hipnotizado pela espetacularização da vida, apenas sintonizado em cada episódio que é transmitido. Mesmo havendo inserções publicitárias, episódios diários, atores profissionais e outras muitas propriedades de um produto de TV, para o espectador ele assiste a pura realidade, alienando-se, inclusive, de sua própria, a verdadeira.

Teixeira Coelho (1989) cita Karl Marx quando diz que todo produto tem em si vestígios do sistema que o produziu. Considerando tal afirmação, seria ingênuo ignorar que atributos típicos do sistema capitalista atual estariam enraizados na estrutura dos programas de TV, maximizando lucros e expandindo as fronteiras do mercado. Entretanto, a televisão não deixa transparecer o status de produto de suas grandes atrações, maquiando o modo como seu conteúdo é definido.

Essa atitude dissimulada nos permite dizer que uma das jogadas mais perspicazes dos reality shows é uma farsa: a dita interatividade. Assim como esclareceu Silveira, a interação é efetiva quando o papel de emissor é compartilhado, quando voz é cedida de tempos em tempos ao receptor da mensagem, permitindo-lhe ditar, também, os rumos do diálogo. Já no Big Brother Brasil, tanto quanto em A Fazenda ou na Casa dos Artistas, os rumos são definidos por normas já estabelecidas ou pela direção do programa. Quando o público vota, ele faz sua escolha dentre as opções oferecidas pelo próprio show, não interagindo, mas apenas reagindo a estímulos, sem nenhuma independência.

Mas se há aspectos tão falsos na programação de TV, como a maioria dos que a acompanham não a questionam? A resposta está na consciência humana. Teixeira Coelho, ao explicar os três tipos de signos – ícone, índice e símbolo – explicita que nossa consciência se divide da mesma forma. A consciência icônica é responsável pela intuição, pelo pensamento analógico, não se preocupando em examinar. A consciência indicial permite a constatação de fatos, a análise operativa de informações deixadas por outros. Já a consciência simbólica é investigativa, quer saber a causa, o porquê. O uso dos três campos do consciente depende dos estímulos vindos de fora, no cotidiano. A televisão, enfim, trabalha apenas com o índice, “atrofiando” de certa maneira a consciência relativa aos outros dois tipos de signo enquanto a assistimos. Em O Que é Indústria Cultural, Teixeira Coelho explica o resultado desse processo, classificando a TV como um produto da cultura industrializada:

“É isso. Toda a indústria cultural vem operando com signos indiciais e, assim, provocando a formação e o desenvolvimento de consciências indiciais. Isto é: tudo, signos, consciências e objetos, é efêmero, rápido, transitório; não há tempo para a intuição e o sentimento das coisas, nem para o exame lógico delas: a tônica consiste apenas em mostrar, indicar, constatar. Não há revelação, apenas constatação, e ainda assim uma constatação superficial — o que funciona como mola para a alienação. O que interessa não é sentir, intuir ou argumentar, propriedades da consciência icônica e simbólica; apenas, operar.”


Bibliografia:

SILVEIRA, Marlise Almeida. Big Brother Brasil: A estrutura dos Reality Shows. 2008. 21f. Dissertação (trabalho de mestrado em Comunicação Social) – Departamento de Comunicação Social, Universidade Metodista de São Paulo, 2008.

O SHOW de Truman. Direção: Peter Weir. Produção: Edward S. Feldman; Andrew Niccol; Scott Rudin e Adam Schroeder. Intérpretes: Jim Carrey; Ed Harris; Laura Linney e outros. [ Manaus: Paramount Pictures], 1998 - 102min.

COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural. São Paulo: Brasiliense, 2008. 99p.

DOS SANTOS, Jair Ferreira. O que é pós-moderno. São Paulo: Brasiliense, 2008. 113p.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bolinha de papel VS Rolo de fita crepe

Daniel Braz

É triste que, na última semana antes das eleições de 2º turno, o debate entre os presidenciáveis ainda esteja rebaixado à troca de acusações. Se alguém ainda não percebeu, é bom ter em mente que José Serra é o principal responsável por bater nessa tecla. Portanto, agradeçam pelo bom trabalho de seu marqueteiro.

Apesar de assumir frequentemente o papel de vítima de um “jogo sujo” do PT, foi sempre o candidato quem começou, desde junho, novas ondas de denúncias, dedicando considerável parte do tempo precioso de seus programas de TV e rádio a atacar os petistas através de argumentos murchos maquiados por estratégias de retórica, como o de que Dilma não tem trajetória política ou o de que seu partido é contra a liberdade de imprensa. Preencher dessa maneira os poucos minutos de propaganda mostra, no mínimo, falta de prioridades mais construtivas para o voto dentro do programa de governo dos tucanos, que, na verdade, apresentaram apenas dois discursos ocorridos em convenções do PSDB como tal.

Além de cínico, Serra ainda revela-se o pior dos hipócritas, pois até agora o maior jogo sujo desde o início das campanhas não foi obra de Dilma, mas sim dele próprio ao distribuir panfletos de contrapropaganda em nome de entidades religiosas como a CNBB. O presidenciável deveria ser preso por frases como “cristão não vota em quem é a favor do aborto”, já que põe em pauta de forma distorcida um grave problema de saúde pública, sendo, lamentavelmente, endossado por grandes veículos de mídia.

Agredida dessa maneira, Dilma não tem outra alternativa senão revidar os ataques e abrir mão de discutir dignamente os problemas do Brasil. No fim, cabe apenas ao eleitor a tarefa de se informar e ir a encontro da democracia.

domingo, 17 de outubro de 2010

Pior que tá num fica?

Daniel Braz

Se Tiririca é capaz ou não de ler e escrever ainda não sabemos, ou melhor, só poderemos ter certeza após a diplomação do palhaço/cantor/apresentador/puxador-de-votos como deputado federal mais bem sucedido do pleito. O já sabido é que graças aos seus 1,353 milhão de eleitores, o humorista por pouco não atingiu o recorde nacional do falecido Enéas Carneiro, de 1,57 milhão, fato que, acreditem, não é o mais assustador envolvendo sua vitória nas urnas.

Em outras palavras, é inadmissível que uma figura como Tiririca tenha sido eleita por cifras tão impressionantes, pois não se trata, ao contrário do que alguns pseudocidadãos afirmam, de voto de protesto. No final das contas, através do sistema proporcional regulador das eleições de vereadores e deputados, o palhaço ultrapassou em mais de 1 milhão o coeficiente eleitoral e, assim, nomeou, como se não bastasse apenas o próprio, outros 3 candidatos de sua coligação que não ganhariam vaga sem uma “mãozinha”.

Certamente, a aliança “Juntos por São Paulo”, ou seja, PR-PRB/PT/PR/PC do B/PT do B, está comemorando os frutos de sua aposta eleitoreira. Já os demais partidos devem estar se rasgando de inveja ou, no mínimo, utilizando a vitória de Tiririca como inspiração para um tiro certeiro em 2012. Assim, a democracia brasileira segue alimentando os olhos grandes dos próprios políticos, esvaziando o debate e as “ideologias” partidárias. Ou será que alguém realmente acredita na consciência política de candidatos tais como o ex-craque Romário, a (“ex”) funkeira Tati Quebra-Barraco e os ex-famosos Kiko e Leandro, do grupo KLB? O próprio Romário, no ato de sua filiação ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), simplesmente confundiu sua própria sigla, dizendo-se honrado ao entrar para o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).

O caso é que a grande maioria dos brasileiros se vê perdida frente à quilométrica lista de candidatos a cargos eletivos pelo sistema proporcional. Entretanto, o maior problema é que esses mesmos indivíduos, em geral, também não têm informações suficientes a respeito do coeficiente eleitoral e, desse modo, dentre os outros políticos profissionais, acabam sendo atraídos pelo carisma de celebridades já conhecidas.

Por isso, é em função de absurdos como esse que o princípio do voto em lista fechada precisa ser aplicado tão logo quanto possível no Brasil, pois o impossível é conhecer milhares de candidatos que nem sempre têm boas propostas. Se apenas os votos em legenda fossem permitidos e as agremiações definissem uma pequena lista ordenada dos aspirantes a cargos eletivos, fenômenos como o de Tiririca não ocorreriam tão facilmente. Afinal, parafraseando-o, o povo não é palhaço, embora ele seja. Moral da história: o brasileiro necessita de melhores condições para exercer sua cidadania.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pesquisas provocam interpretações contraditórias há 6 dias das eleições

Daniel Braz

Apesar dos recentes escândalos de quebra de sigilo fiscal e tráfico de influência na Casa Civil, não ocorreram mudanças drásticas no cenário eleitoral. Em pesquisa divulgada na última sexta (24/09), o Ibope aponta uma leve queda nas intenções de voto para Dilma Rousseff. A petista caiu de 51% para 50%, enquanto Serra e Marina subiram, respectivamente, de 25% para 28% e de 11% para 12%. Há 6 dias das eleições, esse novo cenário tem provocado interpretações contraditórias.

Durante visita a Goiás no último sábado, o candidato do DEM a vice-presidência, Índio da Costa, por exemplo, afirmou que, segundo várias pesquisas internas, a soma entre os votos de Serra e Marina já teria ultrapassado os 50%, dando como certo um possível segundo turno. "Não tenho mais dúvida nenhuma do segundo turno. A dúvida é zero", disse. Na ocasião, ele declarou que as denúncias envolvendo o governo do PT serão um fator determinante para a virada de seu companheiro de coligação, José Serra.

No mesmo dia, Dilma Rousseff, entretanto, não se mostrou surpresa com o resultado das atuais pesquisas. Em compromisso no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro, a candidata deu sua opinião em relação à última pesquisa divulgada pelo Ibope:
- Tem uma pesquisa que me dá 49%, outra que me dá 50%, outra 51%, você entende? Eu estou na margem, de um ponto, dois pontos, eu não vejo nenhum problema, entende?".

domingo, 26 de setembro de 2010

Para Quícoli, veto do BNDES foi estopim de sua denúncia

Daniel Braz

Perguntado sobre o que motivou sua denúncia a respeito das supostas contas em Hong Kong usadas para depósito de propina, o consultor da companhia EDRB, Rubnei Quícoli, respondeu que a suspensão do empréstimo para financiar seu projeto pelo BNDES foi o estopim. O veto teria se dado logo após sua recusa em pagar comissão a Israel Guerra. Segundo ele, as recentes acusações sobre um possível esquema de tráfico de influência através da empresa Capital Consultoria e Acessória o levaram a apurar a situação de seu financiamento e, então, manifestar-se.

- Quando vi que o contrato que eu tinha, da empresa (Capital), era a mesma (sic), conversei com a empresa (ERDB) e falei: vou me manifestar. Primeiro, chequei no BNDES e deu que o meu projeto estava totalmente anulado. Daí, deu a entender que, realmente, o poder deles, por eu não ter assinado o contrato, foi de vetar. Foi o estopim para mim – desabafou o empresário.

Rubnei Quícoli buscava, em parceira com as companhias ERDB e KVA, um financiamento de R$ 9 bilhões no BNDES para a construção de uma usina de energia eólica no Nordeste, estagnada desde 2002. Porém, relatou que Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, teria cobrado comissão de R$ 5 milhões para intermédio. O contrato seria firmado com a Capital Acessória, entre cujos sócios estão Saulo Guerra, irmão de Israel, e Sônia Castro, irmã do ex-diretor operacional dos Correios, Marco Antônio de Oliveira, cujo genro seria dono das possíveis contas no exterior, segundo Quícoli.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ROYALTIES??

Acho desnecessário explanar novamente o absurdo que a emenda de redistribuição dos royalties do petróleo, aprovada hoje pelo Senado, representa para o Rio de Janeiro e para o Espírito Santo.
No entanto, o peemedebista gaúcho Pedro Simon está apenas seguindo a linha ideológica de seu partido, o maior do país, de compromisso com a justiça. Aliás, coitadinhos dos outros estados brasileiros, que esticam seus orçamentos pobres, investindo o máximo possível na qualidade de vida de seus municípios, sem êxito. Os próprios prefeitos e governadores são uns mortos de fome...... O dinheiro precisa ser repartido igualmente entre os administradores públicos, precisamos ter consideração com suas vidas duras, sofridas. O prefeito de Cachoeirinha do Sertão também quer construir sua Cidade da Música, poxa.



Ironias a parte, caso Lula não tome a posição prometida ao governador Sérgio Cabral de vetar de qualquer maneira o projeto, o problema será crítico. Um problema de 7 bilhões por ano.
Não consigo expressar com palavras o nojo que passei a sentir pelo deputado Aldo Ribeiro (PCdoB-SP), queria poder cuspir-lhe na cara. O infeliz em questão lançou para votação um projeto que altera o Código Florestal brasileiro. Uma das propostas visa diminuir radicalmente o limite da faixa de preservação das margens dos rios e encostas. E mais: querem anistiar terras desmatadas até o ano de 2008, além de acabar com a obrigatoriedade de reservas legais para pequenos agricultores.
O episódio é festivo para os ruralistas, que estão mexendo os pauzinhos e usando toda a sua influência para levar a medida para votação ainda esse ano, o que dificilmente acontecerá tendo em vista a Copa e as eleições. A discussão deve ser adiada para ano que vem, pelo menos no Planalto Central.
Digo isso porque a sociedade precisa enxergar desde já que o país não pode andar em marcha ré. O Brasil é dominado por urubus, que estão se lixando para o futuro do país ou para a opinião pública, como já declarou, sinceramente, o deputado do PTB de Rio Grande do Sul, Sérgio Moraes, em 2009. Não é incomum que cínicos como Aldo Ribeiro proponham mudanças de caráter conservador. Basta lembrarmos do artigo original do Plano Nacional de Direitos Humanos, aprovado esse ano, que afetaria claramente a liberdade de imprensa e pressionaria a auto-censura dos jornais. É preciso, no mínimo, impedir a aprovação emendas cujas terceiras intenções chegam a tal ponto de atrevimento frente aos interesses nacionais.
Já não basta a crescente onda de tragédias que vêm desolando o Brasil? Como é possível que catástrofes como as de Santa Catarina e do Rio de Janeiro não façam germinar um broto de responsabilidade sobre a vida de tanta gente? Como já ponderou Marina Silva, o Brasil tem metas importantíssimas assumidas em Copenhague de reduzir as emissões de CO2 em até 39% que não serão alcançadas caso a modificação do Código Florestal seja aceita. Até mesmo os porcos latifundiários perderão em exportações, já que o país perderá credibilidade e respeito da comunidade internacional. Não esqueçamos que temos adotado uma posição de exemplo a respeito da redução de poluentes.
Na verdade, é tudo tão óbvio, não é mesmo? Considero esse texto que acabei de escrever redundante demais para meu gosto. Até crianças de Ensino Fundamental têm consciência dos problemas ambientais nacionais e globais. Será que nossos parlamentares faltaram a essas aulas? Agora, com licença, que vou vomitar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

E Fernando Pimentel é afastado da coordenação da campanha de Dilma Rousseff por ser responsável pela contratação da empresa Lanza Comunicação, suspeita por elaborar o suposto dossiê. Especulações a parte, mas é muita coincidência que a bomba tenha, no final, caído no colo de quem é pivô do atual maior impasse entre PT e PMDB: as eleições estaduais de Minas Gerais. Sempre foi mais que óbvio que o peemedebista Hélio Costa seria contemplado com o palanque da coligação no estado. Hoje, com a bomba no colo, Pimentel anunciou a candidatura do rival, sem resistência.

domingo, 6 de junho de 2010

É realmente muito triste assistir a uma disputa eleitoral de debates potencialmente tão interessantes ofuscada por apelações judiciais. O nosso querido presidente, ignorando os ataques dos oposicionistas de plantão, não se furta a pular a cerca das leis que o proíbem de fazer campanha antecipada. Obviamente, seria incabível passar a mão na cabeça de Lula, mas dar corda a esse bate-boca é alimentar joguinhos políticos. Inclusive, devemos considerar que no cenário atual ninguém dá o exemplo, como já pudemos constatar em inserções recentes do DEM, seja em favor de José Serra, Marco Maciel ou quem quer que seja. A oposição deseja a todo o custo vincular a imagem dos petistas à falta de ética, recorrendo desesperadamente a tempestades em copos d'água. Não serei ridículo a ponto de exaltar a moral do governo atual, mas proponho a reflexão de que o Arruda não é a ovelha negra da família democrata.
A mais nova invenção da mídia é o suposto dossiê contra Serra e sua filha Verônica. Bom, da onde quer que tenham surgido tais documentos, essa história me parece muito mal contada. Não vejo motivo algum para que Dilma se utilize de tal tática. Afinal de contas, não se mexe em time que está ganhando e ampliando paulatinamente a vantagem nas pesquisas antes mesmo do início da campanha oficial, quando Lula poderá, enfim, utilizar toda a sua influência como cabo eleitoral. Enfim, não faz sentido uma apelação tão burra e desesperada. O jornalista Luiz Lanzetta, o bode espiatório da vez, é claramente suspeito, mas não há informações que o relacionem diretamente à campanha de Dilma, apesar das agressivas tentativas do PSDB e do DEM nesse sentido. Uma coisa é certa: quando os aloprados do PT articulavam o último dossiê, em 2006, o envolvimento de Serra com a máfia das ambulâncias já parecia bem evidente.
Bom, como essa novela parece não ter fim, a única coisa que enxergo são os cabelos restantes da careca do presidenciável tucano cairem junto com sua popularidade e seu sonho de ter Aécio como vice.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pra quem nunca foi a um verdadeiro show de rock n' roll

27 de novembro de 2009. É até difícil expressar o quanto eu esperei por esse dia... AC/DC no Brasil, porra!! Eu já escutei tanto a discografia desses caras, já balancei tanto a cabeça com vídeos de shows ao longo dos seus 36 anos de carreira, já perdi tanto tempo na internet procurando os seus B-sides e bootlegs mais mirabolantes, pesquisando, lendo e relendo uma infinidade de versões da sua biografia que, afinal, é óbvio que esse show seria o melhor da minha vida!
Em sua visita ao Brasil, o AC/DC realizou um único show no Estádio do Morumbi, em São Paulo, como parte da turnê de seu álbum mais recente, "Black Ice", de 2008. Essa foi a terceira vez em que a banda se apresentou aqui, sendo a primeira em 1985, no Rock In Rio I, e a segunda em 1996, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo, e na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Seus integrantes são Brian Johnson (vocal), que substituiu Bon Scott em 1980, após sua morte, Angus Young (guitarra solo), Malcolm Young (guitarra rítmica e backing vocals), Cliff Williams (baixo e backing vocals) e Phil Rudd (bateria).
Os irmãos Young formaram o AC/DC na Austrália, em 1973, e criaram uma sonoridade que segue, desde os primórdios, uma fórmula simples e eficiente: um rock n' roll cru, pesado, que gira em torno de riffs de guitarra bem grudentos e que ganha grandes proporções ao vivo, principalmente em função da performance epilética de Angus. As letras, divertidas e descompromissadas, falam, basicamente, de sexo e rock n' roll.
Tudo bem, eu posso ser bem suspeito pra falar, mas, já que é assim, perguntem a qualquer um que estava lá. O chão tremeu, o público foi ao delírio, é uma unanimidade: 65 mil pessoas arrepiadas com a performance e a potência do som do AC/DC. É só refletir um pouco. Para ajudá-los, contarei o que vi com os meus próprios olhos.
Depois de 22 minutos de tortura assistindo o show de abertura com Andreas Kisser (Sepultura) na guitarra e Nasi (ex-Ira!) no vocal, a ansiedade crescia, pairando no ar um clima de "não acredito que estou aqui". Finalmente, as luzes se apagaram e começou o desenho animado de introdução no telão. Corria pelos trilhos uma sinistra locomotiva a vapor com o logo do AC/DC, comandada por Angus Young na sua forma clássica de diabinho. Duas mulheres gostosas invadiram o vagão onde Angus alimentava a caldeira, o seduziram e o nocaltearam para tentar frear a maria-fumaça. O freio-de-mão acabou quebrando em suas mãos, as moças saltaram e o veículo seguiu, desgovernado, em direção ao telão até se chocar. Houve uma explosão, o telão central se abriu e, dele, surgiu um enorme trem que invadiu o palco, enquanto, finalmente, a banda entrava, abrindo o show com o carro-chefe da turnê: "Rock N' Roll Train", do álbum "Black Ice". O estádio vibrou ao ver o já quinquagenário guitarrista com seu emblemático uniforme escolar e o sexagenário Brian Johnson esbanjando carisma e presença.
Após a primeira música, que considero um mero aquecimento, começou a metralhadora de clássicos que dissolviam apenas mais três canções do último disco. Logo em seguida, veio "Hell Ain't a Bad Place To Be", do álbum "Let There Be Rock", de 1977, tempo em que Bon Scott ainda era o frontman e o AC/DC tocava em pequenos clubes na primeira turnê européia. Tudo já estava perfeito quando Angus lançou o riff de "Back In Black", do disco homônimo, de 1980, provavelmente o maior sucesso do grupo, e o estádio começou o que parecia um orgasmo coletivo.
A partir daí, algumas músicas merecem um comentário especial como pontos altíssimos do show. "The Jack", do álbum "High Voltage", de 1975, foi uma delas. O blues, que na versão de estúdio teve sua letra censurada e travestida em um jogo de cartas ("Jack" significa "valete", em inglês), é cantado, ao vivo, com sua letra original, onde "Jack" é uma expressão usada para denominar uma doença venérea, numa época em que os membros da banda eram obrigados a dividir as mesmas mulheres e acabavam todos contaminados. Cá entre nós, total baixaria hahaha... Enquanto o AC/DC incendiava o público com o clássico, algumas mulheres da platéia apareciam em "close" no telão, e muito satisfeitas, diga-se de passagem. O mesmo aconteceu durante a não menos clássica "You Shook Me All Night Long", do "Back In Black". Apesar do esforço masculino para fazer alguma delas mostrar os "peitinhos", o máximo que conseguimos foi um sutiã, infelizmente. "The Jack" também foi a música escolhida da vez como trilha sonora do velho e popular "strip-tease" de Angus Young. Já se foi o tempo em que ele mostrava a bunda (que alívio...), hoje em dia uma cueca com o logo da banda já basta.
Imediatamente após "The Jack", o sino gigante existente no teto do palco começou a descer, levando a galera à loucura. Brian, num pique, saltava e se pendurava na corda, badalando o que prevê o início de "Hell's Bells", mais uma do "Back In Black", momento marcante em qualquer show dos caras.
"War Machine", do "Black Ice", foi uma grande sacada dessa turnê. Durante a música, uma das melhores do disco, passava, no telão, uma animação em que um avião caça fazia um bombardeio de guitarras e mulheres. Vocês vão pensar "que coisa tosca", mas existe algo mais "AC/DC" que isso?? Pra mim, é genial!
Agora, vamos para as últimas da noite:
"Whole Lotta Rosie", do "Let There Be Rock", fala de uma mulher da Tasmânia com a qual Bon se relacionou que, apesar de ser um peso pesado, era um furacão na cama, segundo a letra. Por isso, quando soou o riff de guitarra, o palco cedeu lugar a uma boneca Rosie gigante, que ficou montada em cima do trem até o fim da música.
Em sequência, atacaram com "Let There Be Rock", do álbum homônimo, um dos hinos da banda. A música contou com um solo de guitarra mais do que prolongado, o que faz parte da fórmula dos shows desde muito tempo, hora em que Angus interage de modo impecável com a multidão.
Brian, então, deu um breve obrigado e eles se retiraram do palco, esperando o óbvio pedido sedento de "bis" dos fãs. Depois de bastante suspense, uma fumaça tomou conta do palco e o nosso guitarrista de 1 metro e meio surgiu do chão tocando o riff de "Highway to Hell", do álbum homônimo, de 1979, fazendo o Morumbi inteiro pular.
E, fechando com chave de ouro, o AC/DC encerrou a noite com a rotineira, mas absolutamente necessária, "For Those About To Rock (We Salute You)", também faixa-título do álbum de mesmo nome, de 1981, que, dentre todas as qualidades, possui uma das letras mais simbólicas do rock. E, é claro, não poderiam faltar os bons e velhos canhões emergindo no palco e fazendo disparos durante a calorosa saideira. Após o término do show, ainda houve um lindo espetáculo de fogos.


Aqui está a setlist:

1) Intro / Rock N' Roll Train
2) Hell Ain't a Bad Place To Be
3) Back In Black
4) Big Jack
5) Dirty Deeds And The Done Dirt Cheap
6) Shot Down In Flames
7) Thunderstruck
8) Black Ice
9) The Jack
10) Hell's Bells
11) Shoot To Thrill
12) War Machine
13) Dog Eat Dog
14) You Shook Me All Night Long
15) T.N.T.
16) Whole Lotta Rosie
17) Let There Be Rock
18) Highway to Hell
19) For Those About To Rock (We Salute You)


Tomara que, depois de ter escrito tanto, eu tenha conseguido inspirar algum leitor a ouvir AC/DC! Mas, não seja por isso... Na próxima vez em que eu passar por aqui, postarei um álbum inteirinho pra vocês baixarem!
Até lá!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Drogas!! Chega de dar murro em ponta de faca!

Já chega de idiotisse e conservadorismo barato. É tempo de pôr fim na guerra civil irracional em que vivemos (não tão irracional para os que insistem em alimentá-la, obviamente). Sem sombra de dúvida, os interesses da nossa podre política são grandes demais para que isso aconteça, mas eu creio que a sociedade é capaz de se conscientizar em algum momento a respeito dos valores atrasados que carrega consigo há tantas e tantas décadas. Ela ainda há de cobrar o que deve ser cobrado!
Dessa vez, vou dar voz ao jornalista André Balocco. Esse cara escreveu um artigo em seu blog no site do Jornal do Brasil e se colocou de maneira impecável sobre o assunto, confira só:

Temporão está certo: o uso de drogas é questão de saúde

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deu a melhor contribuição ao debate sobre drogas que venho carregando aqui, a duras penas, diga-se de passagem, ao afirmar que o foco deve sair da repressão para a saúde. Bingo! Temporão sabe do que está falando. Lá atrás, mas lá atrás mesmo, num dos meus primeiros posts, disse com todas as palavras que o uso de drogas era mesmo uma questão de saúde - e que se o uso de maconha fosse descriminalizado, as autoridades deveriam abrir várias clínicas para dependentes químicos, por causa da quantidade de zumbis que cresceria verticalmente com tal medida. Fui atacado impiedosamente e um dos argumentos utilizados era o de que não tinha qualquer embasamento para fazer a afirmação. Então, desafio àqueles que me atacaram a questionarem a autoridade máxima deste país na questão, o ministro da Saúde.

Temporão cansou de ver trilhões de dólares gastos no trabalho de repressão sem que isso contenha o crescimento do consumo. Ao mesmo tempo em que aumentam os sinais de que parte da sociedade decidiu enfiar a cabeça na terra, dar uma de avestruz e fugir das responsabilidades usando drogas, crescem também as insanidades geradas pelo uso abusivo das mesmas - lembrem-se do jovem Bruno, que estrangulou a namorada durante um surto após usar crack.

Conheço muitas pessoas que batem no peito e avisam: só por hoje não usam nenhuma substância química que alterem seu humor - muito menos o álcool, que para eles, e para mim, é a pior das drogas, já que chega sorrateiro, acenando para a juventude com a perda da timidez nas 'baladas' (ou night, se você for das antigas), e termina da maneira que sabemos. Amigos, queridos blogueiros leitores, inimigos, é impossível não associar o uso da primeira dose com o desenvolvimento da doença da dependência química, ou vício, se você assim preferir falar. Só fica viciado quem fuma um baseado pela primeira vez, quem bebe uma dose de álcool pela primeira vez. Se a sociedade se conscientizar que o álcool e as drogas fazem mais mal do que bem às pessoas, o foco pode sim mudar da repressão para a saúde. Se se isso acontecer, os trilhões de dólares devem ser gastos na criação de clínicas para dependentes químicos, capazes de conter a compulsão dos usuários, e em campanhas fortes e maciças de educação sobre os malefícios da mesma, evitando que crianças e jovens caiam neste conto.

Esta é mais uma modesta contribuição minha para o debate. Por favor, sem ataques pessoais. Já sofri o suficiente na minha vida. Abs

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

?

Por que levar tudo tão a sério?
Afinal, não há nada com o que se preocupar, certo?
Estou bem confortável, tenho a vida feita! Carro na garagem. Matrícula na academia. Emprego garantido. Em janeiro, Disney! Ah, como é bom viver em paz...
As coisas são assim, eu aqui cuido do que me importa. E eles lá no cerrado... ah, porque levar tudo tão a sério?
É perda de tempo esquentar a cabeça quando se pode, simplesmente, aprender as regras do jogo. O mundo gira independente de mim. O Executivo governa. O Legislativo legisla. O Judiciário julga. A polícia prende. A imprensa informa.
Não vou ser hipócrita e dizer que não há falhas nesse processo, mas meu carro ainda está lá na garagem, então, não há nada tão grave assim... Mas, mesmo assim, sou um cidadão ativo e me mantenho sempre informado. É sério, eu li na Veja. Ah, e se não fosse o Diogo Mainardi me dando os toques... O Lula é mesmo uma anta! Como pode? Estatizar o pré-sal!?
Em 2010, Serra para presidente! Vamos salvar o Brasil!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Leblon Jazz Festival

Por essa eu não esperava, mas vejam só... estou isolado em casa, desde quarta-feira, por suspeita de gripe suína. Não há como saber se tenho a doença, já que o exame de sangue só está sendo feito em quem se encontra em estado grave, já desenvolvendo uma pneumonia, então, o que me resta é me cuidar e esperar pra ver...
Como estou sob o efeito do paracetamol, minha febre está sob controle. Por isso, aproveitei para escrever qualquer coisa por aqui.

No último sábado, 25/07, foi realizado, na Rua Dias Ferreira, o Leblon Jazz Festival, que comemorou os 90 anos do bairro, trazendo algumas atrações bem interessantes. O evento foi gratuito e reuniu 7 bandas, que se apresentaram no período entre 14h e 22h (na verdade, houve um atraso de mais de 1 hora). Resolvi escrever sobre as 4 principais:

- George Israel e Os Roncadores: Esse foi um showzasso... O saxofonista do Kid Abelha, que está de férias desde 2007, se apresentou com sua banda, em seu projeto solo, mas tocou de tudo, mostrando uma enorme versatilidade.
Antes de subir no palco, ele se misturou à platéia, acompanhado de Rodrigo Sha e Gustavo Contreras, Os Roncadores, e os três tiraram o maior som dos seus saxofones. Já no palco, nos presentearam com muito jazz, músicas próprias de George Israel e Rodrigo Sha, Kid Abelha, Barão Vermelho, Beatles, e muitos outros.
Foi uma apresentação muito animada, com muitos clássicos e uma correspondência calorosa do público.

- Victor Biglione: O famoso guitarrista argentino/brasileiro, divulgando seu novo projeto em homenagem a Tom Jobim, dissecou inúmeras composições do maestro e de outras figuras da MPB, como Milton Nascimento, hora em seu violão de 12 cordas, hora em sua guitarra semi-acústica.
Não há como ignorar a habilidade e a experiência de Victor Biglione em seu instrumento, mas a verdade é que esse cara é um mascarado. Além disso, ele só quer aparecer, mostrar que sabe tocar rápido, que tem domínio sobre o tom, mas tudo que ele consegue é destruir a harmônia e fazer com que o público conte os minutos para que sua apresentação acabe.
No palco, sua banda fica lá nos fundos e ele, com seu banquinho exageradamente à frente, se dirige aos espectadores com tom de professor. Além disso, sua guitarra e seu violão têm volume alto demais em relação aos outros instrumentos, um assassinato ao jazz, que mantém, religiosamente, todos os músicos no mesmo patamar, mesmo em projetos solo.

- Mallu Magalhães: A menina de 16 anos, que teve sua carreira deslanchada surpreendentemente ao fazer um enorme sucesso na internet com composições próprias e que, atualmente, enfrenta enorme polêmica em função de seu namoro com Marcelo Camelo, 15 anos mais velho, teve que enfrentar a falta de luz, que atrasou ainda mais o festival. Suas canções seguem uma linha folk, com muita influência de Johnny Cash e Bob Dylan, quase todas elas em inglês.
A verdade é que se a jovem compositora tem algum talento especial, ainda está em estado bruto. Sua letras são infantis demais, cheias de papapas e tchubarubas. Além do mais, ela não sabe tocar bem violão, nem banjo, nem guitarrinha havaiana, nem gaita e não sabe cantar. A naturalidade das suas primeiras músicas foi perdida, pois é possível notar uma grande interferência de sua banda de apoio nas novas composições, fazendo com que Mallu se transforme num bebê que não sabe o que está fazendo mas que quer brincar. Outra coisa é que, não sei se propositalmente, ao falar com a platéia, ela não parece ter 16 anos, e sim, uns 8.

- Marcelo Camelo: Como foi o último a se apresentar, acabou sendo o mais prejudicado pelo atraso do festival, que deveria terminar as 22h, em função do barulho. Isso fez com que, infelizmente, o músico reduzisse o seu repertório. Ele, acompanhado da banda Hurtmold, tocou 7 músicas de seu primeiro disco solo, "Sou", de 2008, e, no bis, mandou "Além do que se Vê", de sua banda em hibernação, Los Hermanos.
O som não estava muito bom para nenhum dos artistas que tocaram no evento, mas foi no show do Camelo que isso mais me incomodou. De qualquer forma, esse problema não foi suficiente para comprometer a qualidade das músicas desse compositor que, nos últimos anos, vem sendo constantemente comparado a Chico Buarque de Hollanda.
Sugiro que, se você nunca viu Marcelo Camelo ao vivo, veja, no mínimo como uma experiência. Através do Los Hermanos, ele conquistou um público tão fiel, que, mesmo com sua timidez nos palcos, o músico recebe da platéia calorosas manifestações de paixão e devoção. Essa resposta dos fãs é intensa ao ponto que, se ele resolvesse parar de cantar, certamente haveria um coro enorme para exercer essa função do início ao fim da apresentação. E é isso que ele faz em músicas como "Janta", "Doce Solidão" e "Além do que se Vê", deixando estrofes inteiras abertas para centenas de vozes as preencherem.
Hoje estou postando aqui o disco "Sou" para vocês baixarem. Eu acho maravilhoso, espero que vocês gostem!


(2008) Sou

1 - Téo e a Gaivota
2 - Tudo Passa
3 - Passeando
4 - Doce Solidão
5 - Janta
6 - Mais Tarde
7 - Menina Bordada
8 - Liberdade
9 - Saudade
10- Santa Chuva
11 - Copacabana
12 - Vida Doce
13 - Saudade (instrumental)
14 - Passeando (instrumental)



E é isso aí... se Deus quiser, semana que vem eu tô de volta, saudável e postando mais coisas!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tempos difíceis

Já não posso, e nem quero, mentir pra mim mesmo.
Estou saturado de julgamentos deterministas. Minha cabeça lateja após incessantes discursos repetitivos. As vezes, sinto como se eu fosse explodir.
Não levo a mal, é até bom por um lado. Pior seria se ninguém me dissesse nada. Mas, nesse caso, me fizeram chegar a um ponto em que começo a duvidar de mim mesmo. Estou ficando inseguro de um jeito que não era pra eu ficar. Estou criando monstros, alimentando meus medos. Só de pensar em errar, mesmo que por acidente, entro em pânico. Tenho ouvido demais as mesmas coisas, mas não posso deixar que essa insistência me prejudique. Do jeito que estou deixando me atingirem, acabarei nocauteado e, depois, linchado pela platéia, louca para me apedrejar. Não posso perder o foco, simplesmente não posso! Preciso, mais do que nunca, de força, só por mais alguns meses, pra que eu possa, finalmente, atravessar essa tempestade, chegar aonde quero e seguir com a minha vida.
É como falo pra todos, se não fosse pela música, eu seria frágil como um castelinho de cartas. O que me resta é dar corda às minhas paixões, pois são elas que me fazem erguer a cabeça, pensar no futuro e sonhar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ousado

Ontem, a convite do meu grande amigo Diogo de La Vega, fui ao Cinematèque, em Botafogo, assistir ao show da banda Os Outros, produzida pelo seu professor de geografia. No final das contas, o que me chamou a atenção não foram Os Outros, e sim, a banda Ganeshas que se apresentou antes.
Dessa vez, não vou me focar nas bandas, quero ser um pouquinho mais abstrato. Mas, de qualquer forma, como eu ia dizendo, os Ganeshas me deixaram realmente muito empolgado. Aquela galera dava um soco na cara dos rótulos, dos paradigmas, preferindo assumir uma identidade que reunisse tudo o que há de bom, sem restrições. Era MPB, funk, soul, blues, rock n' roll, tudo junto, buscando uma sonoridade que transcende qualquer preconceito, que valoriza a música. Enquanto apreciava o show deles, buscava palavras para descrever o que estava ouvindo. Diferente, eclético, inteligente, de bom gosto, maduro. Ousado. Parei nesse último adjetivo e percebi que precisamos muito dele no mundo contemporâneo. Não me refiro apenas à música, minha constatação abrange tudo onde reina o conservadorismo. O conservadorismo é fruto da ignorância, uma dádiva para o capitalismo, que, para garantir que suas jogadas dêem certo, o alimenta ainda mais. Necessitamos de pessoas audaciosas o suficiente para lançar novas idéias que visem tirar o povo da caverna do senso comum.
Atualmente, passo por um fase bastante desesperançosa em relação a situação do nosso país. Andei pensando se, dessa vez, a única alternativa não seria a força. Afinal, o Brasil é uma fraude e o povo não leva mais nenhum político a sério. Não há pra onde correr em vias democráticas, já que todas as instituições são manipuladas. Além do mais, tá tudo errado debaixo dos nossos narizes e ninguém move um dedo a respeito.
Porém, conspirando a nosso favor, temos a internet como meio importantíssimo de obter informações e de trocar idéias com pessoas distantes. Acredito que é possível que pessoas de ponta a ponta do Brasil, inconformadas e querendo pôr planos em prática, consigam trocar conhecimento e articular um golpe. É claro que isso exige tempo, mas, com certeza, muito menos do que o que teríamos que esperar para que as coisas ficassem feias o suficiente a ponto de mobilizar alguma reação em massa, quando, talvez, já fosse muito tarde. Acho que precisamos de algum grupo que tome o poder e boicote todos esses urubus que monopolizam nossa política, assim como fez Vargas com as oligarquias rurais da República Velha. Claro, é muito fácil falar, mas mais fácil ainda é se acomodar com a situação atual.
Dentre as poucas mentes pensantes, eu defendo as revolucionárias. E que se dane a democracia. Não que seja ruim na teoria, mas, na prática, vem sendo um dogma. Tudo é válido, se for para o bem-estar geral. Por isso, sempre estive ao lado de Marx, que, claramente, sabia que nada acontece de uma hora para outra. Não temos provas concretas disso, mas um governo autoritário, a princípio, pode ser uma alternativa de transição, algo que sirva para manter a ordem e, ao mesmo tempo, inserir uma nova mentalidade ao povo. Depois de um tempo, esse regime não será mais necessário, pois o país já terá sido desintoxicado. Enfim, vamos pensar bem sobre assuntos do gênero e buscar abrir nossas cabeças, abranger nossa visão crítica.

Se há alguém aí lendo o que estou escrevendo, peço desculpas pelos 10 dias sem novidades por aqui. Em breve, postarei mais discos e outras coisas que passarem pela minha cabeça.
Até lá!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Em meio a um cenário onde coexistem mais de 500 atos secretos do Senado, auxílios-moradia inconstitucionais pagos a parlamentares, CPI's cujas propostas se ridicularizam pelas disputas desesperadas entre partidos que põem olhos gordos num Brasil que mais parece uma loteria política, e outros milhares de absurdos, muitos deles ainda desconhecidos do povo, o brasileiro de boa formação acaba se tornando refém das tendências da mídia.
Uma coisa, que não se pode provar mas que se pode afirmar com certeza, é que vivemos em um país onde tudo é corrompido, tudo é relacionado e dominado por "oligarquias" que há tempos fixaram suas raízes no poder e ditam as regras, predefinindo o futuro. A imprensa oficial ganha intuitivamente a confiança das massas por ser ela a única disseminadora de notícias e ao mesmo tempo ter como estratégia o argumento de que "fala em nome da sociedade". Porém, ela não é nada senão um olhar, cada vez mais controlado por interesses políticos de quem está no topo. Os jornais mostram uma única face dos fatos, comprometendo claramente a realidade.
Mas ao invés de falarmos sobre realidade, falaremos sobre a verdade. Afinal, qual é a verdade? Somos criados desde pequenos sofrendo a imposição de conceitos, tabus e dogmas, os quais a maioria leva para o caixão. As grandes dualidades, como "o bem e o mal", "o certo e o errado", nos são ensinadas mas nem sempre são realmente fiéis a moral. Separar tudo em dois lados, de um modo, facilita nosso raciocínio mas de outro nos aliena, já que nos impede de enxergar outras perspectivas. E crescemos aceitando essas coisas.
Por isso é muito fácil manipular o ser humano. Enquanto não começarmos a refletir, continuaremos sendo alvo dos grandes interesses e sendo conterrâneos das grandes desigualdades. No Brasil, a ditadura militar teve seu fim em 1985, mas, com ou sem ditadura, nunca houve liberdade e uma das heranças daquela época foi a percepção de que a lavagem cerebral é mais que o suficiente para calar um povo. As elites compartilham o poder, a classe média emburrece e perde o seu caráter contestador, pois está mais preocupada com o seu bolso, e a classe popular é neutralizada pela ausência de investimentos sociais.
Não estou nem aí se o Brasil cresce ou não economicamente, isso não mostra nenhuma melhora estrutural. O país segue um caminho aparentemente irreversível. O que vivemos atualmente é só um começo do que no futuro se transformará num caos administrativo e criará um país sem leis. Onde está a luta de classes? Até que ponto permaneceremos apáticos? Não podemos mais sustentar um sistema que só nos destrói! Não dá pra entender quem se diz direitista mas a favor da justiça. Aliás, eliminemos esse conceito de direita e esquerda, pois está na hora de tirarmos nossos antórios, abrirmos nossa cabeça e criarmos meios de viver em prol da sustentabilidade do ser humano e não da sustentabilidade do capital.
Melhor parar por aqui, antes que eu enlouqueça.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Introdução

Nunca tive um blog. Imagino que não seja fácil ser dono de um e mantê-lo atualizado semanalmente, sem deixar monótono. Mas, com certeza, pior ainda é postar pela primeira vez. Sobre o que eu escrevo? Como eu começo? Apesar de ter um planejamento na minha cabeça, eu não faço a mínima idéia dos rumos que essa página pode ter... E é por isso que optei por criar um blog com livre-arbítrio. O que seria isso? Muito simples, escreverei sobre o que me der na telha, sobre coisas que me interessam. Cada semana haverá uma surpresa. Como minha maior paixão é a música, farei críticas sobre discos de todas as épocas e de todos os estilos. Também postarei poesias minhas, as quais não costumo divulgar por não ter pra quem mostrar. Falarei sobre o que se passa na minha cabeça, propondo reflexões sobre o que se passa no mundo ou na minha vida pessoal. Por essas e outras, esse blog vai ser, para mim, um desabafo em todos os sentidos.
Mas por que Espelho Translúcido? Bom, como o blog atira pra todos os lados, o leitor hora encontra coisas conhecidas, hora encontra algo inédito. Hora se identifica, hora enxerga além.
Não tenho intenção de fazer publicidade pra promover esse site, portanto, essa introdução é um tiro no escuro, já que quase ninguém vai ler. Divulgarei no boca-a-boca, mas também não estou preocupado com isso. Basta que eu escreva.