sexta-feira, 22 de abril de 2011

Exigente

Daniel Braz

Me chamam de exigente por querer esperar,
Discreto, contido, sozinho a me purgar.
Mas ajo sempre a meu favor...
Pois a astúcia pariu a dor,
E a dor me agradecerá.

Feliz serei apenas com quem devo estar,
Preservando a arte no olhar atento.
E me inspirar é sempre a minha meta,
Ar puro que me faz ser quem eu era.

Mas, se vale toda essa espera,
O seu fim é apenas aquele que me completa.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por Você Não Vou Mudar (Sigo o Meu Coração)

Minhas composições são, para mim, a expressão mais sincera da minha alma. É a tradução poética dos meus sentimentos mais latentes. Através delas é possível afastar-se do ego e estabelecer um diálogo com si próprio.
Entretanto, expressar-se transcende a palavra. Aprendi a usar música para esse fim, e é engraçado como, às vezes, é preciso apenas fechar os olhos e procurar por alguns acordes para pôr pra fora sentimentos há meses entalados na garganta. Ouvir música muitas vezes consola, mas fazer purifica. É o potencial que ela tem de despertar emoções. Cada intervalo dentro de uma escala nos transmite uma sensação, e o segredo é saber sentir.
A música não existe sem o homem, e vai muito além da teoria. O homem, para fazer música, pode ser 100% auto-didata. E é por isso que, hoje, reconheço que minha noção racional de harmonia é completamente irrelevante se comparada ao instinto natural que vem do coração.

Criei esse post para deixar as estrofes de algo que compus recentemente. De todas as canções que eu já fiz e guardo com carinho sem que quase ninguém tenha escutado, acho que essa foi uma das que mais me emocionaram. Talvez a letra possa soar boba, mas vale a pena parar pra refletir sobre o que está por trás do óbvio... Mais uma vez, agradeço à música, minha mais fiel companheira e eterna paixão!

(Por Você) Não Vou Mudar
Daniel Braz

Por você não vou mudar,
A sua vaidade não vai contaminar.
Não vou mudar,
Melhor ficar na sua, em qualquer outro lugar.
Não vou mudar,
Nem vou aguentar esse seu blá blá blá.
Não vou mudar.

Meu amor, não fique assim,
Eu penso em você mas também penso em mim.
O valor de estar junto está na vontade de assumir
Que estar junto é compartilhar sem reprimir.

Por você não vou mudar,
Melhor ficar na sua, em qualquer outro lugar.
Não vou mudar,
A sua vaidade não vai contaminar.
Não vou mudar,
Nem vou aturar esse seu blá blá blá.
Não vou mudar.

Onde for, não vou mentir,
Ainda que você não concorde em ir.
O amor se sustentará sobre as bases de um só fim
Que no fim vai aproximar você de mim.

Viver feliz é crer em si,
Apenas ser e resistir.
Não diga nunca pra oposição,
Siga o partido do seu coração.
Ficar pra ver o que eu não vi
É renascer, crescer enfim.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ahn!?

Daniel Braz

Essa é pra aquele alheio ao redor,
Que extravaga euforia, cuja estupidez não anda só,
E olha pra frente à procura de um rumo
Sem se sentir mais um ser que desce ao submundo,
Poupando energia, fazendo pirraça,
Vagando vazio, pensando no nada.

Para ele, é como se não saísse de casa,
Como se a internet não tivesse sido inventada,
Como se realidade fosse ficção,
Onde o homem permanece primata.
É como se o cosmos fosse magia,
E não houvesse sociedade de massas,
E os valores fossem universais,
E nosso cérebro fosse máquina,
E as convenções fossem eternas.
Seria como se no dicionário houvesse apenas 3 ou 4 palavras...

Porém confesso que tal sonho é uma boa,
Frustrado seria se me acordassem à toa.
Se não, talvez, ficasse em coma a vida toda...
No máximo ouvindo ruidos de todo o caos que ecoa.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ser solitário é relacionar-se,
Consigo, com o peito, e com respeito.
É projetar-se no mundo, absorver e ver.

Imirjo no mar com a certeza de sonhar,
Receando afogar-me em mágoas do mundo de lá.
Mas calma, é melhor tranquilizar...
Se for preciso arranjar compromisso,
Não seja por isso,
Eu lhe compro uma máscara de ar.

Sou cosmocidadão, e não vou abrir mão.
Eu não sou de ninguém, sou da civilização.
É impossível sanar toda a minha paixão,
E não adianta ditar regras irracionais, que sou são e sigo bem minha direção.

sábado, 6 de novembro de 2010

A cultura industrializada dos reality shows

Em reality shows, os elevados índices de audiência fazem parte, geralmente, de suas fórmulas. Segundo Silveira (2008), uma peculiaridade desse formato é a junção de características oriundas de diversos outros gêneros. No caso da aposta mais bem sucedida do país, o Big Brother Brasil, é possível identificar, por exemplo, traços de “talk shows” (entrevistas), “game shows” (participantes submetidos a provas), programas de auditório (platéia em dias de eliminação) e novelas (a cada dia um episódio). Tais flertes resultam em uma receita composta de ingredientes já aprovados pelo público televisivo, visando atender ao máximo o gosto do espectador.

Silveira, em seu artigo, argumenta que a maioria dos seres humanos é naturalmente interessada no chamado voyeurismo, o ato de observar o outro sem ser visto, pregado livremente por reality shows. O fato é que, para incrementar o apelo ao espectador, os participantes são escolhidos a dedo, de maneira a reunir estereótipos que despertem nossas curiosidades. Sendo assim, a febre mundial por programas do formato se dá através da extrema sedução exercida e previamente planejada pelas emissoras de TV. Portanto, a mídia não determina o comportamento humano, mas sim o direciona.

É presumível apontar a chamada hiper-realidade contida não apenas em reality shows, mas em toda a programação televisiva, como responsável em grande parcela pelo processo de alienação em massa. “O hiper-real simulado nos fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades. É um quase sonho. Veja uma dose do iogurte Danone em revistas ou na TV. Sua superfície é enorme, lustrosa, sedutora, tátil — dá água na boca. O Danone verdadeiro é um alimento mixuruca, mas seu simulacro hiper-realizado amplifica, satura sua realidade. Com isso, somos levados a exagerar nossas expectativas e modelamos nossa sensibilidade por imagens sedutoras” (dos Santos, 1986). Portanto, o telespectador, ao assistir a seu reality preferido, não reflete sobre sua artificialidade, deixa-se enfeitiçar pela estética hiper-real e ilude-se com a proposta de não-ficção.

O filme O Show de Truman (1998) retrata bem esse fenômeno no contexto do reality show. O protagonista, Truman (Jim Carrey), é um indivíduo filmado 24 horas por dia desde o seu nascimento em uma mega-cidade cenográfica, tendo sua vida transmitida num badalado espetáculo de TV. Não sabendo de sua condição, o personagem vive em uma hiper-realidade idealizada, onde todos a sua volta são atores que determinam seu destino, de modo a tirar-lhe o livre-arbítrio. Embora a proposta seja artificial e desumana, o público, a favor ou não da liberdade de Truman, permanece passivo e hipnotizado pela espetacularização da vida, apenas sintonizado em cada episódio que é transmitido. Mesmo havendo inserções publicitárias, episódios diários, atores profissionais e outras muitas propriedades de um produto de TV, para o espectador ele assiste a pura realidade, alienando-se, inclusive, de sua própria, a verdadeira.

Teixeira Coelho (1989) cita Karl Marx quando diz que todo produto tem em si vestígios do sistema que o produziu. Considerando tal afirmação, seria ingênuo ignorar que atributos típicos do sistema capitalista atual estariam enraizados na estrutura dos programas de TV, maximizando lucros e expandindo as fronteiras do mercado. Entretanto, a televisão não deixa transparecer o status de produto de suas grandes atrações, maquiando o modo como seu conteúdo é definido.

Essa atitude dissimulada nos permite dizer que uma das jogadas mais perspicazes dos reality shows é uma farsa: a dita interatividade. Assim como esclareceu Silveira, a interação é efetiva quando o papel de emissor é compartilhado, quando voz é cedida de tempos em tempos ao receptor da mensagem, permitindo-lhe ditar, também, os rumos do diálogo. Já no Big Brother Brasil, tanto quanto em A Fazenda ou na Casa dos Artistas, os rumos são definidos por normas já estabelecidas ou pela direção do programa. Quando o público vota, ele faz sua escolha dentre as opções oferecidas pelo próprio show, não interagindo, mas apenas reagindo a estímulos, sem nenhuma independência.

Mas se há aspectos tão falsos na programação de TV, como a maioria dos que a acompanham não a questionam? A resposta está na consciência humana. Teixeira Coelho, ao explicar os três tipos de signos – ícone, índice e símbolo – explicita que nossa consciência se divide da mesma forma. A consciência icônica é responsável pela intuição, pelo pensamento analógico, não se preocupando em examinar. A consciência indicial permite a constatação de fatos, a análise operativa de informações deixadas por outros. Já a consciência simbólica é investigativa, quer saber a causa, o porquê. O uso dos três campos do consciente depende dos estímulos vindos de fora, no cotidiano. A televisão, enfim, trabalha apenas com o índice, “atrofiando” de certa maneira a consciência relativa aos outros dois tipos de signo enquanto a assistimos. Em O Que é Indústria Cultural, Teixeira Coelho explica o resultado desse processo, classificando a TV como um produto da cultura industrializada:

“É isso. Toda a indústria cultural vem operando com signos indiciais e, assim, provocando a formação e o desenvolvimento de consciências indiciais. Isto é: tudo, signos, consciências e objetos, é efêmero, rápido, transitório; não há tempo para a intuição e o sentimento das coisas, nem para o exame lógico delas: a tônica consiste apenas em mostrar, indicar, constatar. Não há revelação, apenas constatação, e ainda assim uma constatação superficial — o que funciona como mola para a alienação. O que interessa não é sentir, intuir ou argumentar, propriedades da consciência icônica e simbólica; apenas, operar.”


Bibliografia:

SILVEIRA, Marlise Almeida. Big Brother Brasil: A estrutura dos Reality Shows. 2008. 21f. Dissertação (trabalho de mestrado em Comunicação Social) – Departamento de Comunicação Social, Universidade Metodista de São Paulo, 2008.

O SHOW de Truman. Direção: Peter Weir. Produção: Edward S. Feldman; Andrew Niccol; Scott Rudin e Adam Schroeder. Intérpretes: Jim Carrey; Ed Harris; Laura Linney e outros. [ Manaus: Paramount Pictures], 1998 - 102min.

COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural. São Paulo: Brasiliense, 2008. 99p.

DOS SANTOS, Jair Ferreira. O que é pós-moderno. São Paulo: Brasiliense, 2008. 113p.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bolinha de papel VS Rolo de fita crepe

Daniel Braz

É triste que, na última semana antes das eleições de 2º turno, o debate entre os presidenciáveis ainda esteja rebaixado à troca de acusações. Se alguém ainda não percebeu, é bom ter em mente que José Serra é o principal responsável por bater nessa tecla. Portanto, agradeçam pelo bom trabalho de seu marqueteiro.

Apesar de assumir frequentemente o papel de vítima de um “jogo sujo” do PT, foi sempre o candidato quem começou, desde junho, novas ondas de denúncias, dedicando considerável parte do tempo precioso de seus programas de TV e rádio a atacar os petistas através de argumentos murchos maquiados por estratégias de retórica, como o de que Dilma não tem trajetória política ou o de que seu partido é contra a liberdade de imprensa. Preencher dessa maneira os poucos minutos de propaganda mostra, no mínimo, falta de prioridades mais construtivas para o voto dentro do programa de governo dos tucanos, que, na verdade, apresentaram apenas dois discursos ocorridos em convenções do PSDB como tal.

Além de cínico, Serra ainda revela-se o pior dos hipócritas, pois até agora o maior jogo sujo desde o início das campanhas não foi obra de Dilma, mas sim dele próprio ao distribuir panfletos de contrapropaganda em nome de entidades religiosas como a CNBB. O presidenciável deveria ser preso por frases como “cristão não vota em quem é a favor do aborto”, já que põe em pauta de forma distorcida um grave problema de saúde pública, sendo, lamentavelmente, endossado por grandes veículos de mídia.

Agredida dessa maneira, Dilma não tem outra alternativa senão revidar os ataques e abrir mão de discutir dignamente os problemas do Brasil. No fim, cabe apenas ao eleitor a tarefa de se informar e ir a encontro da democracia.

sábado, 23 de outubro de 2010

Só preciso de alegria

Daniel Braz

Alegria é o que preciso,
Só preciso de alegria.
Não se necessita clima
Quando é pura sintonia.

Como sei quem é você?
Na verdade, apenas sinto, porque temos a mesma sina.
A sincronicidade dá sinais de que não é à toa a nossa rima,
Pois combina.

Meu futuro é como mina sem qualquer ferramenta.
Não haverá prata sem lascar uma pedra.
E é aí quando você finalmente entra em cena,
Pra levantar minha alma,
Pra iluminar minha caverna.

E se lá no fundo há apenas uma só ideia,
Totalmente fora do alcance da platéia,
De que adianta, então, ter acesso a ela,
Se não for compartilhada em par com quem se espera?