segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Infalível

(22/08/2012)
Daniel Braz

Em mim o Amor enfim se manifesta.
Vasto, áudio-táctil,
Não-visualizável.
Derrama ansioso através dos orifícios do meu corpo compacto,
E é contido apenas em função de gargalos.

A nudez não mais é segredo.
Em ti confio,
A ti respeito.
Não tenho medo dos erros,
E nada valem os acertos.
Pois, se é possível medir o que é amplo ou reduzido,
É impossível graduar o infinito.
O amor é infalível!

domingo, 18 de novembro de 2012

Politicamente incorreto e mal educado

Daniel Braz

Hipocrisia é uma merda...
Por que não jogam logo fora suas máscaras de anjos celestiais?
Duvido que, como tais, se manifestem como seres humanos integrais!
Suas palavras e rituais me dão nojo...
Tenho desgosto de fariseus e seus estelionatos cada vez mais elaborados.

Se é assim, enfiem no cu seus gravadores de áudio,
Seria melhor do que se som passasse por seus ouvidos adulterados.

Queimem, portanto, seus livros sagrados,
Para que o fogo dos seus olhos não consuma os lindos versos ditados.

Pois, então, façam jejum de suas secretas prasadams,
Antes que envenenem os que matam fome com restos e sofísticas charadas.

E que suas máscaras pelo menos venham equipadas com filtros.
Assim os sadios não correm o risco de contrair qualquer vírus!

Finalmente, mantenham distância dos desprevenidos em relação às bactérias de seus corpos teoricamente limpos!
Sim, estou grosso e agressivo!

Não tenho medo de ser espontâneo, certas vezes impulsivo!
Que se fodam os infelizes comentários daqueles que se dizem anjos.
Suas ideias estão fadadas à incompletude,
Verdadeiras ou falsas,
São apenas fragmentos lógicos,
Porém perecíveis,
Daquilo que por inteiro exteriorizo, amiúde.

Não tenho por que temer seus ardilosos sibilos se,
Imerso na consciência suprema,
Meu coração está tranquilo,
E meu pensamento está muito além do dual subjetivo,
Do positivo ou negativo.

Xô, raça de víboras!

Sólido e líquido

Daniel Braz

Me salvei do liquidificador,
Para liquidar o que penso que sou,
E deixar-me ser tudo de uma só vez.
Porém, meu ponto de vista será sempre o de uma célula conectada a um organismo...
Dotado de um sentido para além de si próprio, para o qual vivo.

Sou bom servo do corpo imperecível
 - Cuja essência atômica me é mais do que semelhante -,
Através do qual me alimento,
Me banho,
Me regozijo,
E, no calor ou no frio,
Fico permanentemente rijo.
No rosto trago um sólido sorriso,
Confiante, grato e satisfeito,
Entregue à vontade quem vem do peito,
Num estado estável de eterna embriaguez.

Estou célula, estou tecido,
Estou órgão, estou aparelho,
Estou organismo, estou indivíduo,
Estou família, estou partido político,
Estou sociedade, estou nação.
Estou no sentido ou estou na contra-mão.
Mas sou coeso, feliz e livre de limitação.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Alma Gêmea

Daniel Braz

A própria alma só não conhece quem não quer.
Este, por consequência, é incapaz conhecer a do próximo,
Pois no outro somente a si mesmo enxerga.

É impossível conhecer-se através do espelho.
É só imagem.
O real, ali, tem aspecto de miragem,
E a ilusão tem aspecto de verdade,
E ponto.

O gêmeo é presente, e não se escolhe.
Ufa!
Sábio é quem aceita, por uma questão óbvia.
Só mesmo um ignorante para negar algo tão nobre...
Por uma dádiva não se sofre!

Quero minha alma gêmea para sempre ao meu lado,
Trocando beijos na boca ou apenas sinceros abraços,
Seja solteira ou casada, como amiga ou namorada.

Isso tudo não significa absolutamente nada.
Por você serei eterna e incondicionalmente apaixonado!
Bem-aventurados os que amam!

sábado, 23 de junho de 2012

Pare e Pense...

O pensamento é um filho rebelde.
Se ordeno, mais se atreve,
Se puno, pior é a peste.
Por essas e tantas, apenas fico atento ao menino.
Não julgo, não puxo a orelha,
Pois basta dar-lhe o aviso certo.
Só não entende quem não é esperto...

Crack!
Ainda não me ouviste?
Crash!!!
Viu? Eu não disse??
Boom!!!!!!
Pois é, filho... Chegou o seu limite!

Mas saibas que me tens sempre a teu lado,
Disposto a consolar-te,
A proteger-te,
A curar-te da doença,
A cuidar das tuas feridas.
Se puder seguir-me, trago-te novamente à vida,
E não mais ficarás culpado pelo que fizeste de errado,
Pois tudo lhe será perdoado.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Saúde

Daniel Braz

Eureca!

Descobri a cura, e ela veio na hora certa!
Onde estive com a cabeça?
Um palpite...
Em becos escuros com olhos vendados, pisando em falso.
Entorpecido, à procura de pistas em prazeres fugazes sem limite,
Negando a dor que dispensa convite.
Mutilado pelos cacos do meu espelho em estilhaços.

Mas é claro!

A saúde é a cura e o resultado,
O soro e a vacina,
O tratamento e a profilaxia para o assalto da pandemia.

"M... M... M... Mentchira!!"
Saúde aos enfermos e mortos-vivos!
Mas, por favor, tampem os narizes nos seus espirros... É preciso!
Ajudem a interromper o ciclo do rota-vírus!

sábado, 9 de junho de 2012

Minha Paz

Daniel Braz

Pode chover, pode trovoar,
O chão pode tremer,
O furação pode passar.

Seja lá o que vier,
Nada é suficiente para tirar minha paz.

Para seus chutes e socos, sou joão-bobo.
Para seus gritos, meus ouvidos são feitos de caixa de ovo.
Vá em frente, me olhe torto, me insulte de novo.
Minha paz não depende de seu gosto.
Nem de qualquer outro.

De carro ou a pé,
Em par, ou mesmo só,
Ganhando ou perdendo,

Seja lá como estiver,
Sob quaisquer condições sobrevive minha paz.

É um projeto para além desta efêmera vida,
Pois tudo é possível para quem pratica
E à paz o corpo dedica.